A investigação envolvendo a arma de Bolsonaro ganhou um novo desdobramento nesta quinta-feira (18). A Polícia Civil do Distrito Federal solicitou autorização ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para ouvir o ex-presidente Jair Bolsonaro no inquérito que apura a apreensão de uma pistola registrada em seu nome durante uma blitz realizada em Brasília.
O pedido foi encaminhado pela 15ª Delegacia de Polícia, responsável pela investigação do caso. Os investigadores sugerem que Bolsonaro seja ouvido por videoconferência na próxima quarta-feira (24), em razão das restrições impostas pelo regime de prisão domiciliar humanitária que ele cumpre atualmente.
Entenda o caso da arma de Bolsonaro
A arma de Bolsonaro foi apreendida na noite de segunda-feira (15) durante uma fiscalização da Polícia Militar do Distrito Federal. A pistola Glock calibre 9 milímetros estava no interior de um veículo conduzido por um militar que atua na equipe de segurança do ex-presidente.
Segundo informações registradas na ocorrência, o armamento estava sendo transportado para manutenção e reparos. No entanto, apesar de possuir registro regular, a arma foi recolhida porque o Certificado de Registro de Arma de Fogo (CRAF) não acompanhava o equipamento no momento da abordagem.
A propriedade da pistola foi confirmada posteriormente por meio de consulta ao sistema oficial do Exército Brasileiro.
Polícia relata dificuldades para intimar Bolsonaro
No documento enviado ao STF, a Polícia Civil informou que tentou realizar a intimação pessoal do ex-presidente, mas não conseguiu concluir o procedimento.
De acordo com o ofício encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, a equipe responsável pela escolta de Bolsonaro teria impedido a efetivação da intimação, impossibilitando que os agentes formalizassem a ciência do investigado sobre a convocação.
Diante da situação, os investigadores solicitaram autorização judicial para que o depoimento ocorra de forma remota.
Militar afirmou que arma seria devolvida após reparo
O veículo abordado era conduzido por Estácio Leite da Silva Filho, servidor vinculado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e cedido à Casa Civil para integrar a equipe de proteção do ex-presidente.
Em depoimento à Polícia Civil, o militar afirmou que a arma de Bolsonaro precisava passar por manutenção técnica e que seria devolvida à residência do ex-presidente logo após o serviço.
Após prestar esclarecimentos, ele foi liberado pelas autoridades.
Prisão domiciliar aumenta atenção sobre o caso
O episódio ocorre em um momento de atenção especial por parte do Supremo Tribunal Federal. Bolsonaro cumpre atualmente pena de 27 anos e 3 meses de prisão e está em prisão domiciliar humanitária desde março deste ano.
A medida foi autorizada por Alexandre de Moraes por razões médicas, permitindo que o ex-presidente permanecesse em sua residência durante o período de recuperação de problemas de saúde.
Por causa dessa condição, qualquer fato relacionado à rotina de Bolsonaro, incluindo a posse e movimentação de armamentos registrados em seu nome, passou a ser acompanhado com maior rigor pelas autoridades.
Investigação segue em andamento
A Polícia Civil do Distrito Federal continua reunindo informações para esclarecer todas as circunstâncias envolvendo a apreensão da arma de Bolsonaro. O depoimento do ex-presidente é considerado importante para esclarecer detalhes sobre a posse, o transporte e a finalidade do armamento no momento da abordagem.
Enquanto aguarda a decisão de Alexandre de Moraes sobre a autorização solicitada, os investigadores seguem analisando documentos e depoimentos já coletados para definir os próximos passos da apuração.
Fonte: G1
Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO