Um bebê de 2 meses, identificado como Bento, morreu após dar entrada em um hospital com queimaduras na cabeça e múltiplas fraturas no corpo. O caso ocorreu em São Paulo e envolve o pai da criança, Carlos, de 18 anos, e a mãe, Raquel, também de 18 anos.
Carlos relatou à equipe médica que o incidente aconteceu durante o banho do filho. Segundo ele, o chuveiro superaqueceu, e a água queimou a cabeça do bebê. Ao retirar a criança do box, Carlos afirmou ter escorregado e caído, o que teria causado as fraturas. O casal procurou o hospital cerca de seis horas após o ocorrido.
A equipe médica identificou inconsistências no relato. Carlos não apresentava escoriações, e as lesões no bebê não condiziam com a versão apresentada. As fraturas afetavam o braço, a perna e o crânio de Bento. O laudo da causa da morte apontou traumatismo craniano, além das queimaduras na região da cabeça. A médica responsável pelo atendimento registrou boletim de ocorrência na delegacia um dia antes do óbito e acionou a polícia.
Bento e sua irmã gêmea, Rafaela, nasceram prematuros, com sete meses de gestação. Rafaela, que não estava presente no banho, também apresenta fraturas nos membros e na cabeça, além de marcas de agressão. Ela foi retirada da família pelo Conselho Tutelar e internada. Durante a internação de Bento, a família do casal visitou a residência e encontrou a casa em desordem. Uma mamadeira preparada para Rafaela continha extrato concentrado de camomila, o que gerou suspeita de uso de medicamentos para sedar as crianças.
A mãe informou à polícia que estava dormindo com Rafaela no momento do incidente e não presenciou os fatos. Em um segundo depoimento, Carlos mencionou a possibilidade de ter sofrido um surto, afirmando não se lembrar do ocorrido.
A família de Carlos havia fornecido apoio ao casal, incluindo auxílio para aquisição de uma casa e obtenção de emprego. No entanto, visitas e ajuda adicional foram negadas pelos pais. A família só tomou conhecimento da gravidade do caso quando Bento já estava internado em estado grave. Anteriormente, a mãe havia informado que o bebê se recuperava de uma cirurgia por acúmulo de líquido na cabeça.
A Polícia Civil indiciou o casal por maus-tratos e tortura. Carlos também responde por homicídio. As provas e laudos periciais estão em análise para possível pedido de prisão preventiva.
Bento permaneceu internado por oito dias antes do óbito. Rafaela está em abrigo sob cuidados do Conselho Tutelar. O caso segue em investigação.
Fonte: Record
*foto ilustrativa