Morre César Romero, artista baiano que levou a cultura nordestina ao mundo

O artista plástico, médico, fotógrafo e crítico de arte César Romero morreu aos 74 anos, na noite de terça-feira (7), em Salvador. Reconhecido como uma das maiores expressões da arte contemporânea baiana, Romero deixou um legado marcado pelo colorido vibrante e pela valorização da cultura nordestina.

Nascido em Feira de Santana, segunda maior cidade da Bahia, César Romero de Oliveira Cordeiro começou a pintar ainda na adolescência. Aos 17 anos, conquistou o prêmio da primeira Exposição Intercolegial de Artes Plásticas, entregue pelo então governador Luiz Viana Filho — um marco que deu início a uma trajetória artística de mais de cinco décadas.

Além de artista, Romero também era médico, profissão que exerceu paralelamente à arte. Dividia o tempo entre o consultório e o ateliê, mantendo viva sua paixão pela pintura, pela crítica e pela fotografia.

Morte e investigação

De acordo com a Polícia Civil, o artista morreu após se engasgar durante uma refeição, enquanto era alimentado por uma cuidadora. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e tentou reanimá-lo, mas César Romero não resistiu.

O caso foi registrado na 14ª Delegacia Territorial (DT) da Barra, e a perícia deve confirmar oficialmente a causa da morte. O artista não era casado e não tinha filhos, e até o momento não há informações sobre velório e sepultamento.

Trajetória e legado

Ao longo da carreira, Romero retratou o Nordeste em toda sua essência, explorando temas ligados à cultura popular, às festas religiosas e à simbologia afro-brasileira. Seu estilo inconfundível mesclava cores intensas e formas geométricas, com forte presença do sertão baiano e de elementos das festividades populares.

A Fundação Cultural da Bahia (Funceb) lamentou a morte do artista e destacou sua importância como uma das vozes mais respeitadas da crítica de arte no estado.

“Com seu uso peculiar das cores, Romero teve uma trajetória de enaltecimento das festividades populares e da religiosidade afro-brasileira. A Bahia perde uma potência nas Artes, na Cultura e na poesia feita com traços e cores”, disse a instituição em nota.

Além de expor no Brasil e no exterior, César Romero atuou como curador e jurado em diversos salões de arte, sendo premiado em eventos nacionais e internacionais. Também publicou artigos e críticas especializadas, contribuindo para a formação de gerações de artistas visuais.

Reconhecimento

Nas redes sociais, artistas, colecionadores e instituições de arte lamentaram a perda. Em uma das mensagens, um colega de longa data escreveu:

“César Romero foi um mestre das cores e das emoções. Sua arte falava de um Nordeste vivo, espiritual e resistente.”

Mesmo após sua morte, as obras de César Romero permanecem como símbolo da força cultural da Bahia, refletindo a alma do povo nordestino por meio da arte.

Foto: Divulgação/ Rede Sociais

Fonte: via G1