As cinzas de Sebastião Salgado foram depositadas no sábado (16) nas raízes de uma peroba-amarela no Instituto Terra, em Aimorés, Minas Gerais. O espaço, criado por ele e sua esposa, Lélia Wanick, transformou-se em referência mundial de recuperação ambiental e guarda a memória do fotógrafo.
O fotógrafo brasileiro morreu no último dia 23 de maio, aos 81 anos. A informação foi confirmada pelo Instituto Terra, fundado por ele e sua esposa, Lélia Wanick. Sebastião Salgado morreu em Paris. Segundo a família, ele faleceu por conta de uma leucemia grave. A doença surgiu como evolução de uma malária que atingiu o fotógrafo em 2010, quando visitada a Indonésia.
A cerimônia reuniu familiares, amigos e autoridades, marcando um gesto de despedida que uniu simbolismo e legado. Ao nutrir a árvore com suas cinzas, Sebastião Salgado completou uma última missão: devolver à natureza a mesma vida que ajudou a regenerar no Vale do Rio Doce. A peroba-amarela escolhida fica no coração da fazenda onde ele cresceu e que, anos depois, se tornou a sede do projeto que reflorestou mais de 20 milhões de árvores.
Lélia Wanick emocionou os presentes ao relembrar a trajetória do companheiro de décadas, descrevendo-o como um homem íntegro, visionário e movido por causas maiores do que si mesmo. Para ela e para os filhos, depositar as cinzas no Instituto Terra foi um ato carregado de significado: o mesmo ambiente que moldou a sensibilidade de Sebastião Salgado agora se tornou sua morada final.
Uma despedida marcada pela natureza
Durante a homenagem, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, destacou a importância do fotógrafo para o Brasil e para o mundo. “Tristeza por me dar conta que o Sebastião Salgado partiu, mas também alegria de ver um grupo tão representativo de amigos, familiares e que trabalharam com ele”, afirmou.
Após os discursos, a urna com as cinzas foi depositada ao lado das raízes da árvore. Familiares e convidados jogaram pétalas brancas sobre a terra, encerrando o rito em meio ao silêncio respeitoso que tomava conta do local.
Mais do que uma despedida, o gesto reforçou a ligação profunda entre o artista e a natureza. Ao longo das últimas décadas, o Instituto Terra se consolidou como símbolo de esperança, mostrando ao mundo que áreas devastadas podem renascer. O ato de sepultar as cinzas ali reafirmou a missão que guiou a vida do fotógrafo.
Um olhar que transformou a fotografia
Mineiro de Aimorés, Sebastião Salgado foi o sexto de dez filhos e o único homem entre nove irmãs. Formado em Economia, exilou-se em Paris em 1969 durante a ditadura militar. Trabalhando na Organização Internacional do Café, descobriu a fotografia em viagens pela África. Rapidamente percebeu que a câmera era capaz de contar histórias mais fortes do que relatórios econômicos.
Sua carreira ganhou força nos anos 1970, com registros sobre a seca no Sahel e sobre trabalhadores imigrantes na Europa. Em 1979, passou a integrar a prestigiada agência Magnum Photos, realizando projetos documentais que marcaram época.
Entre suas obras mais conhecidas estão Autres Amériques (1986), que retratou camponeses latino-americanos, Workers (1987-1992), sobre trabalhadores ao redor do mundo, e Êxodos (2000), dedicado às populações deslocadas por guerras e crises. Sempre em preto e branco, suas imagens revelavam não apenas o sofrimento, mas também a dignidade humana em meio às adversidades.
O trabalho de Sebastião Salgado também chegou ao cinema, com o documentário O Sal da Terra (2014), dirigido por Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado. O filme, indicado ao Oscar, ampliou ainda mais o reconhecimento internacional de sua obra.
Da Redação com informações site O Tempo Entretenimento
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
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