A morte da menina Valentina, de apenas 8 meses, comoveu e chocou moradores de Realengo, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, e revelou à polícia uma realidade marcada por abandono e negligência. A bebê e seu irmão, de 5 anos, viviam em condições descritas como insalubres, sujas e sem alimentação adequada.
De acordo com a investigação, a mãe, Vanuza Moura, de 23 anos, deixou as crianças sozinhas em casa, no bairro Jardim Novo, para ir a um baile funk. A tragédia ocorreu na madrugada de domingo (10), quando a bebê supostamente se engasgou durante a mamadeira.
O delegado Alexandre Netto Cardoso, titular da 34ª DP (Bangu), informou que o local não oferecia segurança ou condições mínimas para que o menino se alimentasse sozinho. “Não havia biscoito, pão ou qualquer alimento que a criança de 5 anos pudesse ingerir. É incompreensível como alguém deixa uma criança passar tantas horas sem comida”, lamentou.
Vizinhos ouviram choro durante a noite
Testemunhas relataram que, durante a madrugada, ouviram o choro constante da bebê. Ainda segundo vizinhos, não era a primeira vez que a mãe deixava os filhos sozinhos para sair. O pai das crianças, que não vive com a mãe, confirmou que tinha conhecimento do comportamento recorrente, embora afirmasse não imaginar a gravidade da situação.
A morte da menina Valentina aconteceu após a mãe, antes de sair, preparar um alimento e instruir o filho mais velho a alimentar a bebê se ela chorasse. Vanuza deixou a casa já na madrugada e só retornou por volta das 8h30, mais de seis horas depois. Ao chegar, encontrou a filha sem respirar.
Tentativa de socorro sem sucesso
Desesperada, Vanuza levou a criança até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Magalhães Bastos, mas os médicos constataram que a bebê já havia chegado sem vida. A Polícia Militar e a Polícia Civil foram acionadas, e a prisão da mãe ocorreu ainda na unidade de saúde.
Ela foi autuada em flagrante por abandono de incapaz seguido de morte, crime previsto no Código Penal com pena agravada devido ao resultado fatal. O menino de 5 anos foi entregue ao Conselho Tutelar e deve ser encaminhado a familiares.
Histórico de negligência
Segundo o delegado, a morte da menina Valentina reforça a gravidade de casos de negligência familiar que chegam às delegacias. “O que impressiona é que a própria mãe reconheceu que já havia deixado os filhos sozinhos em outras ocasiões. Isso demonstra total descaso e falta de cuidado”, disse.
As autoridades agora investigam também a conduta do pai, para avaliar se houve omissão, já que ele tinha conhecimento das ausências da mãe.
Impacto social e alerta
O caso da morte da menina Valentina reacende debates sobre a importância da rede de proteção à infância. Especialistas apontam que vizinhos, familiares e até órgãos públicos devem agir de forma preventiva diante de sinais de abandono.
O Conselho Tutelar destaca que denúncias podem ser feitas pelo Disque 100, serviço nacional que recebe relatos de violações de direitos contra crianças e adolescentes.
A morte da menina Valentina se junta a outros casos recentes que expõem falhas na proteção infantil no Brasil. Em comunidades vulneráveis, a ausência de fiscalização, combinada com a precariedade socioeconômica, contribui para que tragédias assim ocorram.
Repercussão
Nas redes sociais, a morte da menina Valentina gerou revolta e pedidos por punição exemplar. Moradores de Realengo lamentaram a perda e expressaram indignação com a atitude da mãe. “Não existe justificativa para deixar uma criança dessa idade sozinha. Isso não é erro, é crime”, escreveu uma moradora.
A morte da menina Valentina segue sendo investigada para determinar as circunstâncias exatas do engasgo e se houve outros fatores que contribuíram para o óbito. Enquanto isso, o irmão mais velho permanece sob os cuidados do Conselho Tutelar, que busca uma solução definitiva para sua guarda.
Fonte: Extra
Foto: Reprodução Redes Sociais