Com a pandemia, 22% dos baianos cadastrados no CadÚnico passam a viver com R$89, o que aumenta a fome e insegurança alimentar

Uma notícia está sendo destaque nesta quinta-feira (06). Com a pandemia do coronavírus, o número de baianos que não se alimentam adequadamente, seja em quantidade e em qualidade nutricional, aumentou consideravelmente. Dados revelados pelo secretário de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia (SJDHDS), Carlos Martins, mostram que 1,9 milhões de pessoas cadastradas no CadÚnico vivem com entre R$ 89 e R$ 150 por mês.

“Nós temos o Cadastro Único com 3.450 milhões famílias. O CadÚnico já lhe dá uma ideia da pobreza na Bahia, porque 1,2 milhões vivem com até R$ 89 por mês, 1,9 milhões vivem com entre R$ 89 e R$ 150”

“Então a gente já sabe o número mais ou menos, e onde estão localizados, que é basicamente na região do semiárido da Bahia, que temos boa parte do nosso território. Com o CadÚnico nós temos a noção exata de onde estão a extrema pobreza, a fome”.

Carlos Martins também comenta sobre os dados da insegurança alimentar. 40% dos baianos cadastrados no CadÚnico, principalmente da região semiárida, sofre com este problema.

“A Bahia é um estado de 14 milhões de habitantes, a maior economia do Nordeste, mas também tem uma boa parte da população no semiárido e vivendo em extrema pobreza. Segundo os dados do CadÚnico, a Bahia é o estado que mais recebe Bolsa Família, isso quer dizer que a questão da fome é uma preocupação muito forte”.

A situação piora quando se avalia os riscos de saúde que essa vulnerabilidade acarreta. Por conta da insegurança alimentar, é comum que se tenham perde energia, memória e que leve inclusive a morte. Esse aumento preocupante é percebido pelo aumento da procura dos equipamentos como CRAS e CREAS.

“A gente percebe pelos nossos equipamentos. Nós temos 28 CRAS [Centro de Referência da Assistência Social], sete CREAS [Centro de Referência Especializado de Assistência Social], e temos quatro centros voltados a população de rua. Então, naturalmente a gente percebe que a procura pelos nossos equipamentos tem crescido. Isso é um índice muito claro de que a pobreza tem aumentado”, explica o secretário de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esporte e Lazer de Salvador (Sempre), Kiki Bispo.

A pandemia piora tudo porque diversas famílias ficam desempregadas. nós estamos já em uma segunda onda da Covid-19, que voltou mais agressiva e que trouxe novamente as medidas restritivas. Essas medidas fecham comércio, elas pedem para que as pessoas fiquem em casa, então isso impacta diretamente na economia”, disse Kiki Bispo.

“Você percebe o aumento das pessoas em situação de rua, o aumento de desempregados, você percebe o aumento de pessoas em estado de vulnerabilidade social. Então isso traz impactos diretos”.

Ao G1, o secretário de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia, Carlos Martins, revelou ainda sobre uma pesquisa que apontou que 74% das pessoas que necessitam de restaurante populares em Salvador, que cobra um valor de R$1 por quentinha, fazem dessa a única refeição do dia.

“Nós fizemos uma pesquisa com os usuários do Restaurante Popular e 74% deles só tem uma refeição por dia. Então nós temos muitas pessoas com insegurança alimentar”.

 

 

Da Redação do Acontece na Bahia

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