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Servidor faz ronda no Carnaval de Salvador e acha irmão catador de latinhas após 15 anos

Uma história emocionante marcou os dias em que o povo baiano festejou o Carnaval de Salvador 2024. O reencontro de dois irmãos foi destaque em meio aos festejos e colocou um ponto final a um drama familiar que já durava 15 anos. Os irmãos Joaquim Donato dos Santos Júnior, com 36 anos de idade, e Vitor Silva Santos, com 42 anos, se reencontraram na última sexta-feira (9) próximo ao circuito do Campo Grande, em Salvador, após uma separação que já durava 15 anos. Joaquim, servidor municipal, e Vitor, catador de materiais recicláveis, proporcionaram um dos momentos mais emocionantes desses últimos dias e com certeza ficou marcado na história.

Joaquim Donato dos Santos Júnior é educador social e trabalha na Secretaria de Promoção Social e Combate à Pobreza, enquanto Vitor Silva Santos vive com sua família na região do bairro Sete de Abril e ganha a vida como catador de recicláveis.

Em um momento emocionante, os dois homens se abraçaram, cada um com sua vestimenta característica: Joaquim vestindo uma camisa azul e um colete verde de trabalho, enquanto Vitor usava uma camisa amarela e um boné vermelho.

Durante o Carnaval, Joaquim estava em serviço no projeto de rondas sociais, voltado para combater o trabalho infantil e prestar apoio aos catadores, fornecendo refeições diárias. Enquanto isso, Vitor aproveitava a agitação dos foliões na festa, acompanhado de sua família, atuando na coleta de latas de alumínio e auxiliando sua esposa, que obteve uma licença de ambulante para vender bebidas durante os sete dias de festa.

O reencontro ocorreu na região do Dois de Julho, próximo ao circuito entre o Campo Grande e a praça Castro Alves, onde ambos estavam em uma das duas bases do Catafolia, uma base de apoio da prefeitura para os catadores que oferece alimentação, banheiros e espaço para banho dos profissionais.

“Foi emocionante, a gente só fez chorar. Eu nem acreditei, na verdade, cheguei em casa estatelado, sem acreditar mesmo”, relata Joaquim sobre o encontro. Vitor, por sua vez, expressou sua descrença em reencontrar o irmão.

Naquele mesmo dia, Joaquim visitou o local onde Vitor e sua esposa, Dora, estavam trabalhando vendendo bebidas durante o Carnaval. Na ocasião, ele viu fotos de sua sobrinha de 9 anos, que ainda não conhecia pessoalmente, e se derreteu: “É uma fofa”.

Joaquim e Vitor são os únicos sobreviventes de uma família de quatro irmãos marcada por perdas e tragédias. Os dois se encontraram pela última vez em 2009, no cemitério, após a morte do pai, quando se abraçaram e choraram juntos.

Após a separação dos pais, os dois foram criados em casas diferentes, afastando-se do pai após uma briga. Vitor enfrentou problemas com alcoolismo e viveu em situação de vulnerabilidade antes de conhecer Dora e se tornar pai. Ele deixou as ruas há nove anos e a família agora mora em uma pequena casa no bairro de Itinga.

Durante o período em que estiveram separados, Joaquim procurou por informações sobre o paradeiro de seu irmão em vários bairros de Salvador e da cidade vizinha de Lauro de Freitas, mas sem sucesso. Vitor também não possui perfil em redes sociais: “Não tenho rede social, não tenho Facebook, Instagram, não tenho nada. Só tenho eu mesmo.”

Após o reencontro, Joaquim e Vitor prometeram manter contato, retomar os laços e celebrar o que foi um reencontro emocionante durante o Carnaval. Na próxima sexta-feira (16), eles planejam uma confraternização em família.

“Agora, vou cuidar dele”, diz Joaquim a Vitor, que promete nunca mais se afastar do irmão: “Ninguém vai nos separar.”

Da redação do Acontece na Bahia