O nome da influenciadora digital, Deolane Bezerra, voltou ao centro das atenções após a Polícia Civil apontar uma suposta proximidade entre a influenciadora e Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola. As duas foram presas durante uma operação realizada nesta quinta-feira (21), que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo a investigação, a proximidade geográfica entre Deolane Bezerra e Paloma teria chamado atenção dos investigadores. De acordo com a polícia, ambas moravam em residências muito próximas, fator considerado relevante para reforçar os indícios de ligação entre as investigadas.
A operação faz parte de uma investigação ampla sobre um suposto esquema de branqueamento de capitais operado pela facção criminosa. Conforme os investigadores, Paloma teria papel estratégico dentro da estrutura financeira do PCC por atuar como intermediadora das ordens vindas da cúpula da organização.
Ainda segundo a Polícia Civil, Paloma é filha de Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, conhecido como “Gordão”, apontado como integrante da cúpula do PCC e atualmente preso. Ela também é sobrinha de Marcola, considerado o principal líder da facção criminosa no Brasil.
As investigações apontam que, após visitar o pai em presídios federais, Paloma mantinha contato direto com um operador financeiro identificado como Ciro. Segundo os investigadores, ela seria responsável por transmitir ordens relacionadas à divisão e movimentação de valores oriundos de empresas utilizadas para lavagem de dinheiro.
Entre as empresas citadas está a transportadora Lopes Lemos, identificada judicialmente como instrumento de ocultação de patrimônio ilícito do PCC. Conversas extraídas de celulares apreendidos indicariam que Paloma também recebia parte dos lucros do esquema, utilizando contas de terceiros para movimentar os valores.
No caso de Deolane Bezerra, a polícia afirma que a influenciadora integraria o núcleo financeiro da suposta organização criminosa. Segundo o relatório investigativo, contas bancárias ligadas à advogada teriam sido utilizadas em movimentações financeiras relacionadas ao esquema.
A identificação de Deolane ocorreu durante investigações envolvendo Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como gestor indireto da transportadora investigada. Conversas analisadas pelos investigadores indicariam o uso de contas bancárias associadas à influenciadora em acertos financeiros mensais.
Comprovantes de depósitos encontrados em aparelhos apreendidos teriam identificado duas contas em nome de Deolane Bezerra no Banco Bradesco. Conforme a investigação, os valores movimentados não teriam relação com serviços advocatícios formais, mas sim com operações de ocultação de dinheiro ilícito.
Os investigadores afirmam ainda que os afastamentos de sigilo bancário e fiscal revelaram movimentações milionárias atribuídas à influenciadora. A suspeita é de que a imagem pública de Deolane teria sido usada para dar aparência de legalidade aos recursos movimentados pela organização criminosa.
Outro ponto destacado pela polícia envolve registros no Sistema Detecta, onde Deolane aparece como representante ou testemunha em ocorrências relacionadas a Everton de Souza. Para os investigadores, isso indicaria uma relação que ultrapassaria vínculos meramente profissionais.
De acordo com a Polícia Civil, Paloma e Deolane exerceriam funções diferentes, mas complementares dentro do esquema investigado. Enquanto Paloma seria responsável pela comunicação e distribuição das ordens da facção, Deolane atuaria na integração dos valores ilícitos ao sistema financeiro formal.
As duas foram indiciadas com base na Lei de Organização Criminosa e na Lei de Lavagem de Dinheiro. Além das prisões preventivas, a Justiça também autorizou buscas domiciliares e medidas cautelares patrimoniais relacionadas ao caso.
Até o momento, a defesa de Deolane Bezerra não divulgou posicionamento oficial detalhado sobre as acusações apresentadas pela investigação.
Fonte: Bacci Notícias
Foto: Redes Sociais