A arma de Bolsonaro apreendida durante uma blitz da Polícia Militar no Distrito Federal se tornou alvo de investigação após um militar do Exército ser abordado transportando o armamento em um veículo oficial. O caso aconteceu na noite de segunda-feira (15), em Taguatinga, e ganhou repercussão nacional após a confirmação de que a arma estava registrada em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo informações das autoridades, o militar foi parado durante uma fiscalização de rotina na DF-001. Durante a abordagem, os policiais encontraram duas armas de fogo no veículo: uma institucional, que estava regularmente portada, e uma segunda arma cuja documentação não foi apresentada no momento da fiscalização.
A propriedade da arma foi confirmada por meio de consulta ao Sistema de Gerenciamento Militar de Armas (SIGMA), do Exército Brasileiro. A informação passou a integrar um pedido de esclarecimentos encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
Como a arma de Bolsonaro foi encontrada
De acordo com o boletim da ocorrência, o militar afirmou que a arma de Bolsonaro havia sido entregue a ele temporariamente para reparos após apresentar uma pane. Ainda segundo o relato, o armamento teria sido retirado na segunda-feira e seria devolvido ao proprietário no dia seguinte.
Por não apresentar o Certificado de Registro de Arma de Fogo (CRAF) durante a abordagem, a Polícia Civil considerou a situação uma irregularidade administrativa prevista no Estatuto do Desarmamento.
O militar, identificado como Estácio Leite da Silva Filho, foi conduzido à 21ª Delegacia de Polícia para prestar esclarecimentos. Após os procedimentos iniciais, ele foi liberado. A investigação foi encaminhada para a 17ª Delegacia de Polícia, responsável por aprofundar a apuração dos fatos.
Caso repercute após questionamentos sobre posse de arma
A apreensão da arma de Bolsonaro ocorre em um momento em que o ex-presidente cumpre pena em regime de prisão domiciliar humanitária, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal por motivos de saúde.
A situação levantou questionamentos sobre a possibilidade de uma pessoa em prisão domiciliar manter armas registradas em seu nome. Especialistas apontam que a legislação brasileira não proíbe automaticamente a posse de arma dentro da residência de um apenado, desde que o armamento esteja devidamente regularizado.
Além disso, não existe, até o momento, informação pública sobre qualquer determinação judicial específica exigindo que Bolsonaro entregasse suas armas após a condenação.
GSI esclarece vínculo com segurança de ex-presidentes
Após a repercussão do caso, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) divulgou nota esclarecendo que não é responsável pela segurança de ex-presidentes da República.
O órgão informou que os profissionais que atuam na proteção de ex-chefes do Executivo são indicados pelos próprios beneficiários e não possuem subordinação operacional ao GSI. O gabinete destacou ainda que sua participação limita-se à capacitação e avaliação técnica desses servidores.
Polícia investiga origem e circunstâncias
A Polícia Militar ressaltou que a confirmação sobre a origem da arma e a regularidade de sua posse dependerá das investigações conduzidas pelos órgãos competentes.
Os investigadores agora buscam esclarecer como o armamento chegou às mãos do militar, quais eram as condições da transferência e se todos os procedimentos legais exigidos para o transporte e manutenção da arma foram cumpridos.
Enquanto isso, o episódio mantém a arma de Bolsonaro no centro das atenções, gerando novos debates sobre posse de armamentos, segurança institucional e cumprimento das normas previstas na legislação brasileira.
Fonte: G1
Foto: EPA via BBC