Motorista é expulso de aplicativo após ser atacado por cliente durante viagem

O motorista de aplicativo Uiliam Raul Matos da Silva se preocupa em ser atencioso e precavido. Não faltam relatos de colegas que foram assaltados, sequestrados e até mortos durante o exercício da profissão. Mesmo com os cuidados, no início da madrugada do último domingo (6) ele entrou para a triste estatística ao ser agredido com garrafadas após pedir a um passageiro que o estava ofendendo verbalmente para se retirar do carro.

Raul nem sabe quantos pontos levou, só sabe que foram muitos. Após as agressões, ele pediu socorro a colegas que o levaram até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no bairro de São Cristóvão, onde passou mais de 12h entre os cuidados e observação até receber alta. O motorista estava completamente ensanguentado e transtornado psicologicamente por causa do crime que sofreu. Num vídeo que gravou e circulou no WhatsApp, implorava para que os colegas se cuidassem o máximo para não passar pelo mesmo trauma.

A corrida iniciou em Mussurunga II e foi solicitada por um casal na conta da mulher. Ao entrar no carro, ela ironicamente pediu que os transportasse em segurança porque ambos estavam alcoolizados. O companheiro dela entrou um pouco depois, com uma garrafa de cerveja em mãos.

Ao engatar a primeira marcha e iniciar o trajeto, o pesadelo não demorou a acontecer. Logo no primeiro quebra-molas que passou, o homem aumentou o tom e ordenou que ele dirigisse mais devagar antes de começar as ofensas verbais. Na segunda lombada, o homem foi ainda mais agressivo: sequer haviam percorrido 200 metros. Raul percebeu o risco e pediu para o casal se retirar do carro.

De acordo com Raul, a mulher entendeu de prontidão e se retirou. O homem se recusou e gritava com o motorista e à esposa, pedindo para que ela voltasse para o carro. Ao perceber que ela não acataria, saiu. Fechou a porta com força e deu um soco no vidro da porta traseira, que quebrou. Ao sair do carro para questionar o porquê do ato, começaram as agressões: Raul sofreu garrafas na cabeça e outros golpes.

“Tem dois anos e meio rodando uber e nunca tinha sofrido esse tipo de situação, não nesse nível de agressão. Tento fazer sempre o meu trabalho para prestar um bom serviço e graças a Deus ninguém nunca reclamou. Eu não tinha medo de circular de noite, tomava cuidados como só pegar corridas no cartão, olhar a pontuação do passageiro. Ela era uma cliente VIP do Uber e isso me tranquilizou antes da corrida”, disse o motorista.

O CORREIO não conseguiu localizar o casal que solicitou a corrida. Raul Matos registrou queixa na 12ª Delegacia Territorial, em Itapuã. A Polícia Civil está investigando o caso.

Além de toda a dor de cabeça da agressão, Raul ainda levou outro prejuízo: foi bloqueado pelo app Uber e está impedido de trabalhar. Em entrevista ao CORREIO, ele lamentou a decisão da empresa.

“Fui comunicado pelo e-mail, só avisaram que fui bloqueado e pronto. É muito triste, até injusto. Eu sempre priorizei a Uber porque sentia mais segurança neles, agora vou ter que procurar outro para poder trabalhar”, afirmou Raul.

Em nota, a Uber afirmou que não bloqueou somente o motorista, mas também o casal envolvido no caso. Em nota, a empresa afirmou que considera inaceitável o uso de violência e espera que motoristas parceiros e usuários não se envolvam em brigas e discussões e que contatem imediatamente as autoridades policiais sempre que se sentirem ameaçados.

Questionada sobre o porquê de um motorista agredido ser bloqueado da plataforma, a empresa afirmou que “este tipo de comportamento configura violação aos termos de uso da plataforma e a conta dos envolvidos foi desativada, enquanto aguardamos pelas apurações. A empresa permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações, na forma da lei”.

O CORREIO também perguntou à Uber se existe algum tipo de suporte para os motoristas que são agredidos e/ou qual medidas são tomadas para auxiliar os profissionais que têm os seus veículos danificados em atos de vandalismo como o acontecido com o carro de Raul Matos, que teve o vidro quebrado. A empresa não respondeu à pergunta.

O Sindicato dos Motoristas de Aplicativos, Condutores de Cooperativas e Trabalhadores Terceirizados em Geral do Estado da Bahia (Simactter) afirmou que até a última sexta-feira (4) tinha em seus registros 504 casos de furtos e roubos contra motoristas de aplicativo somente em 2021 – uma média de 3,3 casos por dia. Os dados são relativos à Salvador e Região Metropolitana. O Sindicato não tem números de agressões e tentativas de agressão contra motoristas de app.

Com textos e informações do portal Correio 24 Horas

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