Advogada da família do ‘hipster da Federal’ alega no momento em que invadiu propriedade; o agente “achava que estava no sítio dele quando foi baleado”

O Polícia Federal Lucas Soares Dantas Valença, conhecido como o “hipster da Federal”, de 36 anos, foi morto com um tiro no peito no momento em que teria invadido uma propriedade. As primeiras informações apontam que o agente de polícia estava andando pelas redondezas de Buritinópolis, no interior de Goiás, quando foi acometido por um surto psicótico e teria invadido a chácara de um vizinho achando que era a dele próprio. O tiro fatal foi efetuado pelo dono do imóvel. O caso foi registrado na madrugada dessa quarta-feira (2) e esta foi a versão apresentada pela advogada da família de Lucas Valença, Sindd Lopes.

A defensora destaca que o agente estaria sofrendo de uma depressão profunda e fazia tratamento com um terapeuta desde o início da pandemia de Covid-19. Existe a hipótese de que o policial sofria de bipolaridade, entretanto, o diagnóstico oficial ainda não foi divulgado. Segundo a advogada, o surto foi “o primeiro que ele teve”, e justamente aconteceu quando Lucas decidiu fazer uma caminhada noturna pela região. O agente saiu sozinho, desarmado e sem celular, cujo sinal não pega direito naquela região, e não encontrou o caminho de volta para a chácara.

‘‘A família foi totalmente pega de surpresa. Não entendemos que houve um assassinato e, sim, legítima defesa. Mas ele não arrombou a casa. Ele achava que aquele era o rancho dele. Por isso, tentou entrar na residência. Estava perdido e em surto’’, disse a advogada, que ajuda a família após o incidente.

A advogada ainda salienta que Lucas conhecia o vizinho que atirou nele e que não há relatos de inimizade entre eles. A família tem um terreno na região desde que o agente era pequeno. O local era um dos favoritos de Lucas, onde ele cultivava e colecionava plantas bonsai. O agente também usava o “rancho”, nome dado pelos parentes a propriedade, para abrigar cães abandonados e encaminhá-los à adoção.

‘‘Ele ajudava financeiramente várias ONGs de animais. Era uma pessoa amorosa e sensível. E estava num momento de se cuidar. Não bebia, não fumava e era vegetariano. Estava totalmente adepto à ioga e à meditação. E era muito conectado à natureza. Ele ia quase todo fim de semana para a chácara’’, contou a advogada.

A família do agente não pretende entrar com queixa contra o vizinho por entender que ele agiu em legítima defesa, afirmou a advogada. ‘‘Foi questão de doença mesmo’’, disse a defensora. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil de Goiás que procura saber se o dono da casa realmente agiu para proteger a si mesmo e a sua família.

A Polícia Federal comunicou que acompanha as investigações e que não divulga informações pessoais e funcionais de seus servidores.

Da Redação do Acontece na Bahia

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Hipster da Federal disse “saiam de casa ou vou matar”, antes de invadir propriedade e ser atingido por disparo fatal

O proprietário da fazenda invadida pelo Policial Federal Lucas Valença, de 36 anos, deu detalhes em depoimento à Polícia Civil de Goiás, sobre o episódio em que o agente foi atingido por um tiro fatal. O Policial Federal, conhecido como hipster da Federal, fez ameaças de matar as pessoas que estavam dentro de casa na fazenda Santa Rita, em Buritinópolis, Goiás. Trechos do depoimento do proprietário da fazenda foram detalhados pelo delegado que investiga o caso ao R7 e à TV Record.

Segundo a polícia, o caso foi registrado na noite dessa quarta-feira (2), por volta das 23h30. “Segundo relatos do autor, ele estava em casa com a filha e a esposa, quando começou a ouvir gritos do lado de fora. A vítima [Lucas] dizia: ‘Saiam todos de dentro de casa, senão vou entrar e matar'”, contou o delegado Adriano Jaime Carneiro, plantonista da Delegacia Regional de Posse (GO).

O proprietário da fazenda contou ainda que o agente fez diversos xingamentos e disse que “naquela casa havia um demônio”, relato que consta no boletim de ocorrência registrado como homicídio.

De acordo com o documento, Lucas teria desligado a energia da propriedade e arrombado a porta da casa. Momento em que o proprietário fez uma advertência que estava armado, disse o delegado, mas o agente federal não teria parado. “O autor desferiu um único tiro. Depois do tiro, a vítima começou a gritar que era policial. Nesse momento, o autor ligou para a Polícia Militar solicitando uma ambulância”, informou o delegado.

Quando a energia foi restaurada, o proprietário do imóvel notou que havia atingido o agente da PF no peito. Socorrido no local, Lucas não resistiu e veio a óbito. O dono da fazenda foi preso em flagrante por posse irregular de arma de fogo. A arma que matou o policial era originalmente de pressão, mas foi alterada pelo dono da fazenda para ser uma espingarda calibre 22.

O homicídio será investigado e pela circunstância em que ocorreu pode ser enquadrado como legítima defesa. Após pagar fiança de R$ 2.000, o fazendeiro vai responder em liberdade. Natural de Goiás, Lucas ficou famoso em 2016, ao aparecer na escolta do então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (MDB-RJ), réu na Operação Lava Jato. O sucesso do agente na web foi de tal forma que ele ganhou até um boneco no Carnaval do Recife em 2017.

Recentemente o agente federal Lucas Valença atuou no caso que envolveu a caçada ao criminoso Lázaro Barbosa, em Cocalzinho (GO), em junho de 2021. A operação policial que mobilizou 270 policiais do DF contou ainda com a participação do Policial Federal. O nome hipster da Federal foi dado em razão da aparência, com barba cheia e cabelos longos sempre presos em coque.

A morte precoce do policial foi lembrada por amigos e familiares que escreveram comentários na última foto postada por Lucas no Instagram. “Poxa, meu irmão, que notícia destruidora foi essa, um cara fantástico, tantos sonhos, um grande amigo, guardarei todas as lembranças em meu coração para sempre”, comentou um amigo. “Você foi meu líder e amigo quando precisei. Descanse em paz e fará falta aqui”, escreveu outra pessoa. A Polícia Federal ainda não se pronunciou sobre o ocorrido.

Da redação do Acontece na Bahia

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