Após cinco meses morando no aeroporto, professora inicia atendimento com defensoria e já tem esperança de dias melhores

Uma boa notícia tem sido destaque ainda nesta quarta-feira (6). Isso, porque a professora que estava morando a cinco meses no aeroporto de Salvador, deu início ao atendimento com a defensoria pública.

A professora Oceya de Souza, de 55 anos, recebeu atendimento, de forma on-line, da defensoria pública do estado da Bahia na tarde da última quarta-feira (5). Após ter sua história repercutida nacionalmente por ter feito o Aeroporto Luís Eduardo Magalhães, em Salvador, como abrigo por cinco meses.

Graduada em Letras, Oceya foi professora de língua portuguesa no Colégio Estadual Thales de Azevedo, na capital, onde trabalhou até ter sido diagnosticada com fibromialgia, doença caracterizada por dores crônicas. Segundo ela, sua solicitação de aposentadoria junto à Secretaria de Educação do Estado da Bahia não foi aceita, e ela deixou de ser remunerada.

A professora, órfã de pai e mãe, sem filhos ou maridos e sem contar com a ajuda dos irmãos, Oceya acabou indo parar nas ruas.  “O aeroporto pelo menos é seguro”, afirmou Oceya, que passava as noites sentada ou se contorcendo para deitar sobre as cadeiras. No entanto, após sua história viralizar, a professora foi acolhida por colegas e ex-alunos. Agora está hospedada em um hotel no Centro, passou por atendimentos médicos e recebe doações de todo o Brasil.

Do hotel, Oceya conversou com as defensoras públicas e coordenadoras da Especializada de Direitos Humanos, Livia almeida e Eva Rodrigues e, ainda, o defensor público Virdálio de Senna Neto, coordenador da Especializada de Fazenda Pública. Durante o atendimento, Lívia Almeida informou à assistida que o contato com a equipe de abordagem social da Secretaria do Trabalho, emprego, renda e Esporte da Bahia havia sido bem sucedida com atendimento marcado para esta semana.

Já o defensor público Virdálio informou que há muito trabalho a fazer sobre os encaminhamentos em relação ao vínculo da professora com o estado da Bahia e seus possíveis direitos. “Vamos começar a analisar o caso dela do início ao fim. Tem muita coisa a ser vista como processos administrativos e documentos da junta médica. Vamos fazer esse levantamento, pois não será uma coisa tão imediata”, explica o defensor.

A professora Oceya de Souza foi diagnosticada com Covid-19 em maio de 2020, quando foi internada, e recebeu sua última ajuda de custo, que lhe deu a possibilidade de alugar um quarto por alguns meses. “Após sair do hospital fui encaminhada para serviços da prefeitura, mas ao fazer entrevistas para abrigos, ouvi que eu não tinha perfil para ficar nas vagas que existiam. Aí decidi ir para o aeroporto”, disse. Oceya não teve acesso ao auxílio emergencial e a empréstimos por ainda estar vinculada à Secretaria de Educação.

 

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Da redação do Acontece na Bahia

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