Mãe do menino Miguel inicia curso de Direito: “Entender melhor a justiça e o processo”

Uma notícia tem repercutido ainda nesta quarta-feira (5). Isso porque Mirtes Renata Souza, de 34 anos, a mãe do menino Miguel, que caiu de um a altura de 35 metros em um edifício de luxo em Recife, onde Mirtes trabalhava como doméstica, resolveu começar a estudar direito.

Em entrevista ao Portal “Uol”, Mirtes relatou que resolveu estudar Direito: “Resolvi estudar Direito para entender melhor a justiça e o processo”.

Por causa da pandemia, as aulas da faculdade são remotas, como ela já imaginava que seria caso voltasse a estudar algum dia, já que não tinha tempo para isso, pois dedicava parte do dia para cuidar de Miguel.

Mirtes ligou um computador pela última vez em 2013, quando terminou o curso técnico em segurança do trabalho. Era seu retorno aos estudos depois de terminado o ensino médio, em 2005, numa escola pública da Região Metropolitana da cidade.

Na frente do computador que ganhou de uma ONG, Mirtes é atenta, curiosa e participativa. Interage, questiona e tira dúvidas do que não entende, já que desconhecia os inúmeros termos jurídicos que ouve nas conversas virtuais com os professores. Ela diz que precisa conhecer tudo porque quer uma justiça acessível para todos, inclusive para quem não tem acesso ao conhecimento.

Ela ganhou bolsa de estudos integral em uma universidade particular do Recife. Com os olhos cheios de lágrimas e sem qualquer vergonha diante da emoção, manifesta um orgulho bonito, ao mesmo tempo que treme os lábios quando diz que é a primeira pessoa da família a entrar em uma universidade.

Mirtes demonstra insatisfação com a corrupção e afirma ter sofrido preconceito desde que precisou entrar em uma delegacia para depor sobre a morte do filho. “Se eu estivesse do outro lado da história, se eu tivesse deixado o filho da patroa dentro do elevador, talvez eu fosse presa logo após a audiência de custódia”, afirma.

Sari Corte Real, a ex-patroa da Mirtes, foi indiciada por “abandono de incapaz com resultado morte”. Segundo o inquérito da Polícia Civil, a primeira-dama do município de Tamandaré (PE) deixou intencionalmente a criança no elevador do edifício. A pena pode ser de 4 a 12 anos de prisão, contudo Sari responde o processo em liberdade.

A justiça trabalhista determinou que Sari Corte Real e o marido, Sérgio Hacker, paguem R$ 100 mil a Marta Alves e Mirtes Renata, por multas rescisórias. Mãe e filha trabalharam para a família durante 6 e 4 anos, respectivamente. O casal recorreu a decisão.

Da Redação do Acontece na Bahia

Tag(s): , , .

Categoria(s): Destaque, Nacional.