“Sou uma onça”, diz mãe que recebeu mais de 500 bolsas de sangue durante parto de alto risco

Uma notícia segue repercutindo neste domingo (19). A auxiliar administrativa Thaís Cristina Souza, de 35 anos, precisou de 531 bolsas de sangue durante o parto de Saulo Gabriel, que hoje está com dois meses. Esta quantidade de bolsas de sangue é mais que a média de transfusões totais feitas na Santa Casa de Misericórdia do Pará, em Belém, em um mês. O bebê e a mãe só foram salvos graças o apoio de centenas de doadores que se comprometeram a ajudar.

Thaís tem uma Síndrome Púrpura Trombocitopênica Trombótica (PTT) e precisou ir para a UTI logo após o parto, para continuar o controle da doença. O bebê nasceu prematuro e precisou de cuidados semi-intensivo.“Não sou uma gata de sete vidas, sou uma onça. Lutei pela minha vida e meu filho lutou pela vida dele. Tivemos muita ajuda para vencer. Obrigada, Deus. Obrigada a quem doa sangue”, disse Thaís.

Após uma semana do parto, o bebê foi liberado para casa e Thaís permaneceu internada tendo o apoio da mãe, a professora aposentada Maria do Socorro, de 61 anos, que acompanhou a filha no momento delicado. Thaís ficou internada 30 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital, em estado gravíssimo. Até voltar para casa ela acumulou 45 dias de espera.

De acordo com os médicos que acompanharam Thaís, o caso dela era de alto risco. “Era uma situação clínica delicada, com plaquetas baixíssimas e formação de trombos por causa da doença PTT. Havia risco de perda gestacional, risco de morte para a gestante e risco de agudização com sequelas para ambos”, disse o médico Daniel Lima, hematologista e hemoterapeuta da Santa Casa e do Hemopa.

As complicações trazidas pela síndrome fizeram com que Thaís apresentasse problemas como hipertensão, infecção e se submetesse a uma segunda cirurgia, de laparatomia exploratória, para tratar uma hemorragia interna. O hospital administrou quatro doses de um medicamento em Thaís que custa cerca de R$ 12 mil cada dose.

Thaís foi diagnosticada com a síndrome em 2016 e engravidou de Saulo Gabriel em 2020. No entanto, com sete meses de gestação ela percebeu manchas roxas nas pernas e reconheceu como sintomas de Púrpura. Ela foi orientada a procurar o serviço de obstetrícia da Santa Casa.“Foi um milagre. Um milagre da ciência e do SUS (Sistema Único de Saúde). São duas instituições públicas que uniram esforços e competências para resolver um caso difícil”, contou a médica Patrícia Arruda, integrante da equipe de plasmaférese terapêutica do Hemopa.

Da redação do Acontece na Bahia

 Foto: Hélder Ribeiro/Divulgação

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