Depois de perder a mãe e trabalhar como gari, Baiano se elege prefeito em sua cidade

Entre as muitas histórias de superação, uma delas chamou a atenção nesta quarta-feira (25). Já imaginou se você trabalhasse como gari para a prefeitura e, tempos depois, conseguisse se eleger prefeito nessa mesma cidade? Pois foi justamente isso que aconteceu com esse baiano.

A vida do prefeito eleito de Tapiramutá, na Bahia, nunca foi fácil. Contudo, mesmo assim Roberto Venâncio dos Santos conseguiu deixar o cargo de gari e se tornar prefeito da sua amada cidade. De acordo com o Blog do Adenilton Pereira, Roberto foi literalmente achado no lixo quando ainda era um bebê. Então, uma senhora o resgatou, cuidou dele e também lhe deu seu sobrenome. Contudo, ela tinha diabetes e faleceu quando Roberto tinha apenas dois anos. Depois disso, ele ficou sob os cuidados da irmã dessa senhora, que foi a uma segunda mãe para Roberto. Aos 18 anos, o jovem enfrentou a dor da perda novamente.

A segunda mãe dele faleceu e agora não havia mais ninguém com quem contar. Então, diante disso Roberto se virou com o que tinha, trabalhou na roça, se sustentou com frutas e chegou até a dormir no chão. Já mais velho, surgiu a oportunidade de trabalhar como gari na cidade e ele aceitou. Contudo, não era aquilo ainda o que Roberto projetava para sua vida. Buscando uma vida melhor, ele foi para o centro oeste e para o sudeste do país. Lá, Roberto trabalhou como cortador de cana e também atuou numa lavoura de café.

A virada

Depois disso, ele retornou para Tapiramutá, onde conseguiu emprego no Sindicato dos Trabalhadores Rurais, se elegendo Presidente tempos depois por conta da sua grande experiência, competência e resiliência. Daí pra frente, sua vida começou a mudar. Roberto conseguiu o seu diploma de nível superior, ele se formou em História. No ano de 2012, conseguiu se eleger a vereador de Tapiramutá. Em 2016 se aventurou a prefeito, mas não conseguiu vencer. Contudo, em 2020 toda essa trajetória foi reconhecida pelo povo e ele conseguiu vencer com 4533 votos, somando 54,52% de adesão popular. Além disso, atualmente ele está a caminho do seu segundo diploma, pois já chegou na metade do curso de Direito. Casado e pai de dois filhos, Roberto é um exemplo da força intrínseca ao povo nordestino, que sempre consegue resistir às intemperanças da vida com o otimismo de ver o sertão florescer.

Da Redação do Acontece na Bahia.

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Prefeito eleito na Bahia convida garis para tomar café da manhã na sua casa

A história de um prefeito eleito na Bahia está repercutindo muito neste sábado (20). Na mesma semana em que ganhou as eleições, ele teve um gesto de grande humildade, dando um exemplo para a classe.

É comum, principalmente em cidades interioranas, que muitos prefeitos sejam idolatrados como verdadeiros “donos da cidade” por seus apoiadores e temidos ou odiados pela sua oposição. Contudo, essa realidade está mudando aos poucos, e vários gestores estão dando exemplos de trabalho e humildade. Desta vez, o prefeito eleito em Belmonte, Bebeto Gama, fez algo que poucos gestores já fizeram: ele convidou os garis para tomar um café da manhã na sua casa. Ao lado dos profissionais de limpeza urbana, o prefeito fez uma bela refeição, mas não divulgou nada abertamente nas suas redes. Entretanto, mesmo assim a foto do momento foi a público. Então, depois disso o a foto se espalhou nas redes, gerando reações muito positivas.

Aos 58 anos, Bebeto venceu as eleições com uma boa vantagem. Bebeto teve 7034 votos, somando mais de 15% em vantagem acima do segundo colocado.  Diante da foto com os garis, várias pessoas da cidade comentaram desejando sorte ao futuro prefeito:

“Fico contente pela atitude do nosso futuro prefeito, antes de tudo por ser um ser humano que se importa com os outros, e espero que faça uma boa gestão olhando pelo Belmontense que realmente precisam.”

Já com experiência como administrador, Bebeto agora terá a missão de transformar gestos assim em rotina na sua gestão.

Da Redação do Acontece na Bahia.

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‘Com ela não me preocupo em pisar nos pés’, diz Gari que viralizou ao dançar com vassoura

Um passo para cá, uma vassoura para lá… É no ritmo da música que os garis do Rio de Janeiro encantam os moradores e turistas da Cidade Maravilhosa. Com performances despretensiosas, os profissionais da limpeza urbana têm ressignificado a importância da profissão.

Um desses é o gari Valdo Luís Marques da Conceição, de 53 anos, que viralizou nas redes com um vídeo em que aparece dançando, no Centro do Rio, ao som de “Flor de Lis”, de Djavan, interpretada por um saxofonista, artista de rua.

Nas imagens, que foram gravadas na última sexta-feira, Valdo é flagrado bailando com sua companheira de trabalho, a vassoura, enquanto alterna entre passos de dança e a varrição.

O vídeo ganhou os grupos de WhatsApp e as redes sociais o que acabou surpreendendo o gari.

— Isso foi tão despretensioso que cheguei a tomar um susto quando descobri que tinha um vídeo meu rodando as redes. Era próximo da hora do almoço da última sexta-feira. Eu já estava me preparando para a pausa no serviço, quando passei pela Rua São José, já próximo da Avenida Rio Branco, e me deparei com a área bem suja. Resolvi dar uma geral na limpeza antes de ir almoçar. E como tinha um artista de rua tocando uma música, dei uma dançadinha com a minha vassoura e nem reparei que tinha uma pessoa me filmando — conta Valdo Luiz.

Mas no sábado pela manhã, quando chegou para trabalhar, o gari foi chamado pelo o chefe que disse que precisava ter uma conversa com ele:

—Nem passou pela minha cabeça que meu chefe havia me chamado para conversar por causa da minha dançadinha. Troquei de roupa e tomei o meu café. E, fui todo receoso falar com ele e ele me disse:

“Rapaz, você sabe que está fazendo o maior sucesso na internet? Tem um vídeo seu dançando no Centro do Rio. Mas o importante é que você estava com os equipamentos de proteção e fazendo o seu trabalho”. Eu senti um misto de alívio e felicidade. É muito bom poder ser reconhecido por nosso trabalho.

Valdo conta que a repercussão tem sido tão grande que recebeu durante o sábado mais de 30 ligações de amigos comentando a performance dele com a vassoura:

—Eu amo dançar, também gosto de cantar um samba-enredo e tocar o meu pandeiro numas rodas de samba. Mas é tudo na diversão. Nada profissional. O bom de dançar com a vassoura é que a gente não precisa se preocupar de que pode pisar nos pés da parceira (risos).

Brincadeira à parte, o que mais me deixa feliz com toda essa história é que mesmo de uma forma tão inusitada eu estou contribuindo para dar mais visibilidade para os meus companheiros de trabalho. Quando saímos da invisibilidade e a sociedade nos enxerga, ela passa a nos valorizar. Isso é o mais bacana dessa grande brincadeira.

Morador do Engenho Pequeno, em São Gonçalo, Valdo conta que antes de conseguir realizar o sonho de entrar para a Comlurb, trabalhou como office boy, auxiliar de cozinha, fiscal de terminal de ônibus e até como vigilante.

— Lembro que quando surgiu o concurso para gari, eu preparei uma garrafa de café e fui para a fila dos testes. Fiquei quase 24 horas esperando e um anos depois fui chamado para trabalhar. Foi uma das melhores notícias que recebi na minha vida — relembra o profissional que é casado há 28 anos com uma professora e é pai de uma estudante de 22 anos, que cursa História, na Universidade Federal Fluminense (UFF): —Minha família também me apoia muito e estão curtindo essa minha fama repentina. Minha filha, inclusive, criou um Instagram pra mim. Porque eu só tinha o WhatsApp. Agora, vou tentar ver melhor essa repercussão toda.

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