Primeira escritora negra do Brasil é redescoberta, mas ainda há conflitos sobre a definição do seu rosto

Uma notícia tem sido destaque nas redes sociais neste domingo (18). A escritora Maria Firmina dos Reis (1822-1917), primeira escritora negra do Brasil, era inicialmente conhecida pelos cabelos crespos, vestido aparentemente de luxo e pele branca, assim era a imagem da escritora pintada na parede da Câmara de Vereadores de Guimarães, cidade localizada no Maranhão e onde a escritora morou por longos anos.

Maria Firmina, entretanto, é alvo de discussão entre os especialistas que divergem com relação a sua imagem. A autora de Úrsula (1859), hoje considerado o primeiro romance afro-brasileiro a se posicionar contra a escravidão, teve a sua imagem confundida com a imagem da escritora gaúcha Maria Benedita Câmara (1853-1895), conhecida como Délia.

A professora da Universidade Federal do Maranhão, Régia Agostinho, visitou Guimarães em 2012 por ocasião de uma pesquisa para tese de doutorado sobre Maria Firmina.”Em Guimarães já sabiam que aquela não era Maria Firmina, mas, como o quadro foi doação de alguém importante da cidade, não tiraram da parede”.

A professora voltou a Guimarães em 2013 para finalizar sua tese de doutorado e o quado havia sido retirado do local. Não tem registro de nenhuma foto ou retrato de Maria Firmina. Mesmo nos dias atuais, imagens que aparecem em pesquisas sobre Maria Firmina feitas na internet, são na realidade, de Délia.

Um busto esculpido em homenagem a Maria Firmina e em exposição na Praça do Pantheon, centro de São Luís, não condiz muito a respeito de como era a escritora, segundo ex-alunos e conhecidos: uma mulher de rosto arredondado, cabelo crespo, grisalho, cortado curto e amarrado na altura da nuca, com nariz curto e grosso.

A escultura traz  “o nariz é afilado, os lábios finos, cabelos lisos, amarrados em coque, em nada se parecendo a uma mulher negra ou mulata”, conta Agostinho.

De acordo com a professora, o escultor Flory Gama quis representar a escritora como ‘’a única mulher, em meio aos bustos de tantos homens maranhenses ilustres, do que como negra’’.Foi desenhado então a escultura com seios avantajados contrastando com a magreza visível na estátua.

A indefinição com relação a imagem de Maria Firmina se confunde com sua própria obra que foi bem aceita no começo mas posteriormente caiu no esquecimento após sua morte. O historiador paraibano Horácio de Almeida (1896-1983), redescobriu a obra da escritora no Rio de Janeiro, uma edição do livro Úrsula,único romance da escritora e considerado o primeiro livro brasileiro a se posicionar contra a escravidão bem antes de obras como O Navio Negreiro (1870) e A Escrava Isaura (1875).

Filha de uma escrava alforriada e de pai negro, a escritora Maria Firmina nasceu no dia 11 de março de 1822, na cidade de São Luís do Maranhão. Acreditava-se até 2018 que a escritora tivesse nascido em 11 de outubro de 1825, data que se verificou ser a de seu batismo. De origem portuguesa e de mãe branca assim era a descrição da primeira biografia da autora, Maria Firmina – Fragmentos de uma Vida (1975), escrita pelo poeta e jornalista maranhense José Nascimento Morais Filho (1922-2009).

Pouco se sabe sobre a vida de Maria Firmina e a descoberta do erro na data de seu nascimento feita por Dilercy Adler, professora aposentada da Universidade Federal do Maranhão e que atualmente ocupa a cadeira de de Maria Firmina na Academia Ludovicense de Leras, só reforça este fato.

Da redação do Acontece na Bahia

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Professor que manteve por 38 anos uma mulher em condições de trabalho análogos à escravidão é demitido de instituição de ensino

Uma notícia está sendo destaque nesta segunda-feira (08). O professor universitário Dalton César Milagres Rigueira, acusado de manter a mulher Madalena Gordiano, de 38 anos, em um regime de trabalho análogo a escravidão, é demitido da Fepam (Fundação Educacional de Patos de Minas). Ele atuava como professor nos cursos de veterinária e zootecnia.

Dalton César já havia sido afastado em dezembro do ano passado, logo após o caso se tornar público. Desde então, ele responde na Justiça trabalhista. A família do professor colocou o apartamento a venda para pagar a indenização à Madalena, que ainda está no aguardo da decisão em Uberaba.

Madalena e a família Risgueira começar a negociar no mês passado. A família do professor pretendia entregar o apartamento a mulher, avaliado em R$600mil. Porém, o imóvel possui uma dívida de R$190mil, que já está parcelada. Madalena recusou, afinal, o valor ficaria muito abaixo do indicado e que mesmo depois da quitação do financiamento, ela ficaria com apenas R$200 mil.

A ação que está em andamento é para o pagamento do período em que Madalena trabalhou para a família, sem receber alguma remuneração. A equipe jurídica de Madalena ainda avalia a possibilidade de um processo por danos morais. Além disso, Dalton César fez empréstimo no nome da mulher, e pode ainda responder por estelionatário.

Madalena foi resgatada no ano passado, após denuncias de vizinhos. Trabalhando para a família desde criança sem receber qualquer remuneração, Madalena era privada de direitos básicos, como de cuidado com a própria higiene. Depois de enviar bilhetes para vizinhos pedindo dinheiro para comprar sabonetes, por exemplo, o caso chegou a polícia. Madalena, chegou, inclusive, a se casar com o tio da esposa de Dalton em 2001, em um casamento armado pela família Risgueira. Ao falecer, o marido de Madalena deixou para ela duas pensões, avaliadas juntas em R$8mil. Porém, essa pensão não ficava sobre o controle de Madalena, e sim dos patrões, que usavam para financiar os próprios custos e contrair empréstimos.

Agora, o próximo entre os dois lados acontecerá na próxima semana, na Procuradoria Geral do Trabalho de Patos de Minas, para que se encontre um acordo, pois, no último que aconteceu quinta-feira (04), acabou sem um acordo selado.

Da Redação do Acontece na Bahia

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