Em depoimento à CPI, Ernesto Araújo atribui ao Ministério da Saúde decisões sobre cloroquina e vacina, e nega atrito com a China

Uma notícia tem sido destaque nesta terça-feira (18). Isso, porque o ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo, atribuiu ao Ministério da Saúde lima série de decisões relativas ao enfretamento da pandemia nas quais o Itamaraty esteve envolvido.

O depoimento do ex-ministro à Comissão Parlamentar de Inquéritos (CPI) da Covid teve duração de quase sete horas. A CPI investiga ações e omissões do governo federal no enfrentamento da doença e eventuais desvios de verbas federais nos estados e municípios.

Entre as decisões que atribuiu ao Ministério da Saúde, Araújo Citou a mobilização pela aquisição de cloroquina, remédio cuja ineficácia no tratamento da Covid foi cientificamente comprovada, e a negociação de um pequeno quantitativo de doses de vacina por meio do consórcio Covax Facility. O ex-chanceler também negou “atrito” com a China e disse que não houve retaliações do país asiático ao Brasil.

Araújo compareceu à CPI na véspera do depoimento do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, marcado para esta quarta (19). Pazuello foi o ministro da Saúde mais longevo do governo Jair Bolsonaro durante a pandemia –esteve à frente da pasta entre maio de 2020 e março de 2021, período em que houve o recrudescimento da doença no país.

Logo na fala inicial, Ernesto Araújo destacou que, em relação à Covid-19, o Itamaraty atuou em coordenação com outras pastas – “nesse caso, muito especialmente, o Ministério da Saúde”.

Após as declarações do ministro, senadores de oposição afirmaram que o depoimento será usado para questionar Pazuello.

“Vou fazer uma interpretação aqui do que aconteceu: primeiro, o grande responsável por tudo se chama Pazuello, que estará aqui amanhã. Ninguém fez nada neste governo. ‘Foi o Pazuello’, ‘foi o ministro da Saúde’. Amanhã, ele vai ter que responder”, disse o senador Humberto Costa (PT-PE).

O vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues declarou que a oitiva “compromete gravemente a participação, amanhã, do senhor Eduardo Pazuello”.

Segundo o relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), Araújo “carregou” no Ministério da Saúde.

“Ele, sistematicamente, enfatizou que todas as iniciativas da política externa aconteceram em função de decisões e influência do Ministério da Saúde — à exceção da importação da cloroquina, porque ele havia falado com o presidente, e da viagem a Israel. Ao dizer isso, ele transfere o ônus da responsabilidade para o Ministério da Saúde e para o ex-ministro Pazuello, diretamente”, afirmou o emedebista.

Apesar de Pazuello ter conquistado, no STF, o direito de não se autoincriminar perante a CPI, Renan afirmou que os depoimentos já realizados deveriam “estimulá-lo” a colaborar.

“Na medida em que o governo vem aqui, através de variados representantes, e eles transferem as responsabilidades para ele [Pazuello], é claro que isso deveria estimulá-lo a colaborar mais, a ajudar a sociedade a esclarecer o porquê desse morticínio”, disse o relator da CPI.

Em entrevista à revista “Veja”, o ex-secretário de Comunicação disse que houve “incompetência” por parte do Ministério da Saúde nas negociações de vacinas da Pfizer, que, somente em 2021, foram adquiridas pelo governo, apesar de ofertas feitas no ano passado.

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Da redação do Acontece na Bahia

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