Depois de perder o filho Miguel, ex-empregada doméstica Mirtes se matricula no curso de Direito: “Ele deve estar muito orgulhoso”

Uma história de dor está se transformando num exemplo de luta e superação. Depois de perder o filho Miguel, de 5 anos, dona Mirtes Renata está passando por uma grande transformação em sua vida. Segundo ela, a partida do filho lhe deu uma nova missão.

O caso Miguel deixou o Brasil em comoção, clamando por justiça. Tudo aconteceu em junho deste ano, no prédio onde Mirtes trabalhava como empregada doméstica em Recife, no estado do Pernambuco. Mirtes trabalhava na casa de Sari Gaspar Corte Real, a mulher do prefeito de Tamandaré. No dia em que Miguel morreu, Mirtes havia saído para passear com o cachorro de Sari, à pedido da própria patroa. Contudo, como desceu sozinha com o cachorrinho, Mirtes deixou o filho sob a supervisão da patroa Sari até que voltasse do passeio. Então, ao perceber que a mãe não estava por perto, o pequeno Miguel ficou agitado. Diante disso, Sari vai com ele até o elevador, mas aciona o botão da cobertura e deixa o menino sozinho.  Sem noção do perigo, Miguel caminha e acaba caindo do prédio.

Uma nova missão

Com a repercussão do caso, milhões de pessoas se mobilizaram pedindo por justiça. Agora, Mirtes se matriculou no curso de Direito. Ela deseja se tornar advogada e lutar por um mundo mais justo. Em entrevista ao portal Globo, ela explicou:

“Me vi nessa missão. Meu filho me deu o dever de ajudar o próximo Eu já estou preparada para os desafios. Pode ser que eu passe por algum preconceito, mas já estou passando por coisas piores. Nada se compara à dor que estou sentindo. Ele [Miguel] sempre teve orgulho de mim. Em qualquer brincadeira com os meninos da rua, em qualquer festa que eu organizava, ele dizia ‘foi a minha mamãe que fez’. Agora ele deve estar muito orgulhoso.”

Da Redação do Acontece na Bahia.

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Justiça autoriza bloqueio de bens de Sérgio Hacker e Sarí Corte Real

O prefeito de Tamandaré, Sérgio Hacker, e sua esposa, Sarí Corte Real, tiveram seus bens bloqueados nesta quinta-feira (1º), após determinação do Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT-6).

O documento, assinado pelo juiz José Augusto. Segundo, foi obtido pelo site de notícia Diário de Pernambuco.

A decisão atende a um pedido do Ministério Público do Trabalho para garantir o pagamento da indenização por dano moral, referente ao processo que julga os vínculos empregatícios de Marta Maria Santana Alves e sua filha, Mirtes Renata, que trabalhavam como empregadas domésticas na residência do casal até junho deste ano.

Mãe e filha encerraram os vínculos com os patrões após a morte do filho de Mirtes, o menino Miguel, de cinco anos de idade. Ele caiu no 9º andar do edifício Píer Maurício de Nassau, localizado no Bairro de São José, área central do Recife, onde o casal possui um apartamento. A criança, conforme investigação da Polícia Civil, acidentou-se após ser deixada sozinha no elevador do condomínio por Sarí, enquanto sua empregada passeava na rua com os cachorros da família. Ela foi indiciada por abandono de incapaz com resultado morte.

Após a enorme repercussão do caso, a nível nacional, irregularidades nas relações empregatícias de Marta, Mirtes e uma outra funcionária do casal, Luciene Raimundo Neves, foram trazidas à tona: as três trabalhavam como domésticas nas residências da família, mas tinham vínculos formais com a Prefeitura de Tamandaré. De acordo com a decisão do TRT-6, Sérgio Hacker e Sarí poderão pagar um valor de até R$ 2 milhões na ação coletiva por danos morais.

Na sua decisão, o juiz frisa os arguementos da promotoria, afirmando que “a discriminação estrutural relações de trabalho doméstico, com ‘práticas, hábitos, situações e falas embutidos em nossos costumes e que promove, direta ou indiretamente, a segregação ou o preconceito. É a naturalização da violência social, marcada pela estigmatização da pessoa e pela imposição de características negativas e de subalternidade’”, escreve Segundo Neto no documento.

“Pretende, por fim, a decretação das características negativas e de subalternidade, indisponibilidade de bens dos Réus a fim de garantir quitação da indenização por dano moral coletivo, até o valor de R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais)”, finalizou o juiz.

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