“9 mil anos perdidos”: Depois de 9 anos, Juiz condena 4 pessoas pelas 242 vidas no caso da Boate Kiss

Depois de aproximadamente 9 anos do dia que levou 242 vidas, a Justiça deu uma resposta

Foram 10 longos dias de julgamento em um dos casos que mais mexeu com o Brasil. Na noite do ocorrido, várias pessoas que queriam se divertir e festejar acabaram tendo as vidas interrompidas. Então, agora a Justiça bateu o martelo. A acusação destacou a superlotação da boate, o material usado na espuma do teto, que quando pegou fogo liberou gases tóxicos, e o manejo inadequado dos fogos de pirotecnia no ambiente fechado.

Quatro réus foram apontados como responsáveis pelas 242 mortes no caso da Boate Kiss. Entre eles, os sócios da boate, o vocalista da banda e o produtor de eventos e ajudante. Os sócios Elissandro Spohr e Mauro Hoffmann foram condenados a 22 anos e seis meses e 19 anos e seis meses, respectivamente. Já o vocalista da banda, Marcelo de Jesus dos Santos, foi condenado a 19 anos. O produtor e ajudante Luciano Bonilha recebeu a mesma pena de Marcelo. Mas não termina aí.

As penas foram definidas para o regime fechado. Contudo, Spohr conseguiu um habeas corpus que impediu que os 4 saíssem presos do fórum em Porto Alegre. No momento, o Ministério Público trabalha para acelerar os procedimentos de trânsito em julgado e efetivar as prisões. Num dos momentos mais marcantes durante a condenação, o Juiz destacou o tempo de vida das pessoas que se foram, considerando a expectativa de vida dos brasileiros:

“Esse muito [tempo de vida em liberdade] não lhes foi retirado por acaso[…]São mais de 9.000 anos de vida perdidos. As consequências são gravíssimas para a cidade de Santa Maria.”

Da Redação do Acontece na Bahia

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Réu no caso Boate Kiss chora e e afirma que “o fogo se propagou no momento que eu joguei água”

Sem dúvidas, um do casos que mais mexeu com os brasileiros. Durante o julgamento, o acusado foi interrogado e informou como as coisas aconteceram naquela noite. De acordo com ele, o fogo tinha uma característica diferente.

Luciano Bonilha foi interrogado no tribunal do júri no caso da Boate Kiss. Ele é réu e trabalhava como ajudante da banda Gurizada Fandangueira no dia do fatídico ocorrido que deixou 242 pessoas mortas e 600 outras feridas. Ao falar no júri, Luciano relatou sobre o momento em que o fogo, que tinha características diferentes, se alastrou pela boate e que ele tentou controlar as chamas com água, o ajudante afirmou:

“Quando foi instalado tudo na frente do palco e atrás da cortina, quando abriu começa a banda com o gaitaço. Tocaram quatro músicas e uma introdução de gaita. Eu introduzo a munhequeira na mão do Marcelo. Daí eu apertei, tirei a luva da mão dele e fui fazendo. No lugar que eu estava era muito apertado. Eles continuaram tocando por uns três minutos e eu ouvi que disseram ‘Luciano está pegando fogo’. Era bem azul o fogo. O fogo se propagou no momento que eu joguei água.” Na sequência, o pessoal começou a fugir do local. Luciano afirmou:

“Eu vi o rapaz pegar o extintor debaixo do bar e alcançar para o Marcelo. Eu estava do outro lado, o Marcelo pegou o extintor e não funcionou, achei que o Marcelo não sabia usar o extintor. Não tinha o lacre, era xoxo. Nós só saímos porque eu ouvi alguém gritar ‘sai, sai.”

Além disso, Luciano relatou que não conhecia a banda, mas chegou a trabalhar com eles por 14 vezes, algumas delas com espetáculo pirotécnico. O ajudante também relatou que não havia sido informado sobre as condições do local da Boate Kiss e que não imaginava passar pelo que está vivendo hoje:

“Não conhecia a banda. Na boate Kiss, foram três ou quatro shows. No palco novo, foram duas vezes[…]Fiz todo o meu trabalho. Eu e o Danilo andávamos sempre juntos. Acredito que o Danilo não ia me colocar na situação que eu estou de estar preso. Eu acredito que o Danilo não ia me levar para dentro de uma casa se fosse proibido. Não foi avisado [sobre as condições de revestimento do material que pegou fogo e do teto baixo]. Se acreditava que tudo era seguro.”

Por fim, Luciano desabafou: “Queria dizer que o coração dos pais não está entendendo a minha dor, mas eu não tenho como entender a dor deles. Se eu tivesse morrido lá, eu tenho aqui a maior joia da minha vida, que é a minha mãe. Esses pais não têm mais o abraço dos filhos, o carinho. Eu digo que hoje estou sentado aqui, tenho a consciência tranquila que não foi o meu ato. Para tirar a dor dos pais, eu tô pronto, me condene.”

Da Redação do Acontece na Bahia

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Testemunha sobrevivente da boate Kiss morre 1 mês antes de falar no júri

A testemunha do incêndio da boate Kiss, a Fernanda Buriol Londero, 33 anos, faleceu faltando um mês para depor no tribunal do júri.

Desde que sobreviveu ao incêndio, Fernanda vinha fazendo tratamento para as sequelas do pulmão. A causa da morte foi uma embolia pulmonar em decorrência de complicações pós-cirurgia de vesícula, que segundo a família, não tem relação com o incêndio.

Fernanda faleceu no último dia 23 de outubro. Ela estava entre as 636 pessoas citadas pelo Ministério Público como vítimas de tentativa de homicídio. No depoimento dado ainda em 2013, ano do incêndio, ela afirmou que conseguiu sair viva porque conseguiu um atalho pela cozinha e que também presenciou em outros momentos que frequentou o local, o uso de fogos de artificio.

O julgamento apura as responsabilidade do incêndio que matou 242 pessoas. Agora, a promotora responsável Lúcia Helena Callegari, que arrolou a testemunha, afirmou que encaminhará outro sobrevivente para que faça um depoimento.

 

Da Redação do Acontece na Bahia

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