Desapontado, Governador Rui Costa faz crítica e diz ‘’não espero compaixão humana’’ ao falar sobre postura da Anvisa sobre vacinas

Uma declaração do governador da Bahia tem repercutido nesta quinta-feira (4). Na ocasião ele demonstrou confiança no resultado da ação que está em trâmite junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), para que se aplique imunizantes contra o coronavírus independentemente de autorização da Anvisa. 

“Não espero nenhuma compaixão humana [da Anvisa]. São mais de 40 nações do mundo usando essa vacina [Sputnik], mas a Anvisa não acha que é hora de o povo ser imunizado. Eu desisti da Anvisa e decidi acreditar no STF para a gente efetivar a compra. Esperamos o resultado e ter ainda esse mês, em 15 a 20 dias, a vacina em território baiano”, afirmou o governador.  

O pedido feito pela Procuradoria Geral do Estado (PGE-BA), ocorreu na terça-feira(2) e pede a interferência do STF independente  de autorização da autarquia: “O pedido de autorização ao STF é para possibilitar a aquisição, importação e dispensação à população baiana de quaisquer vacinas contra a Covid-19, que já sejam registradas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) ou, na falta do registro do órgão, preencham conjuntamente os seguintes requisitos: estejam sendo utilizadas pelos respectivos países de origem e que tenham sido liberadas por uma das seguintes agências estrangeiras: Food and Drug Administration (FDA) European Medicines Agency (EMA);  Pharmaceuticals and Medical Devices Agency (PMDA); ou National Medical Products Administration (NMPA)”, destaca o pedido feito pela Procuradoria Geral do Estado. 

 

Da redação do Acontece na Bahia 

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“Vai esvaziar os hospitais”, Comemora Governador Rui Costa após nova decisão da ANVISA facilitar uso de vacinas

Na noite desta quarta-feira (03), uma notícia alegrou a Bahia. O governador, Rui Costa, publicou uma nota em sua conta no Twitter comemorando a decisão da Anvisa de dispensar os testes aqui no Brasil na fase 3 das vacinas contra o Covid-19.

“VALEU A PENA A BATALHA DA BAHIA PELA SPUTNIK V! A Anvisa acaba de anunciar que não vai exigir a testagem da vacina russa no Brasil para autorizar o uso do imunizante. Uma vitória importante nesta nossa luta para garantir mais doses para vacinar brasileiros e brasileiras[…]Além de salvar milhares de vidas humanas, de esvaziar os hospitais, nós vamos retomar a vida, a normalidade, retomar a economia, o emprego, a renda, diminuir o sofrimento do nosso povo”, diz Rui Costa.

Em janeiro deste ano, a PGE ( Procuradoria Geral do Estado) entrou com uma ação pedindo para que o Brasil importe e distribua vacinas sem registro da Anvisa. Mas para isso, era preciso que o imunizante tenha certificação por outros órgãos de referencia internacional.

Por conta dessa decisão, será possível adquirir milhões de dose da Sputinik V e a aquisição mais rápida das doses.

Da Redação do Acontece na Bahia

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Em desabafo, Rui Costa faz crítica a Anvisa e chama Bolsonaro de ‘estúpido, irracional e incompetente’

Em entrevista à Rádio Metrópoles, o atual governador da Bahia, Rui Costa, avaliou o projeto logístico da Anvisa como positivo, porém, criticou a burocracia do órgão em conseguir imunizantes contra a Covid-19 que não sejam a vacina do Instituto Butantan ou o do laboratório Pfizer.

No entanto, o governador criticou a condução do governo federal. Assim, ele considerou a gestão do presidente Jair Bolsonaro como ‘estúpida, irracional e incompetente’.

Naqueles dias que ficamos fazendo, identificamos pessoas com febre e fizemos o teste no aeroporto mesmo. As pessoas sequer sabiam que estavam doentes. É um serviço de saúde pública você informar que a pessoa está doente. E a agência de vigilância sanitária proibindo esta ação. Só num governo estúpido, irracional e incompetente como esse a gente pode presenciar. Essa é outra coisa que o Brasil perdeu”, afirmou Rui.

Além disso, Rui falou também sobre o momento do Brasil, que ele classificou como preocupante. Segundo o petista, o Brasil pagará um preço alto pelos movimentos negacionistas liderados pelo presidente, apesar do início do movimento de vacinação.

“Não está bom para nenhum país, mas está muito pior. Eu diria hoje que a situação do Brasil é uma das piores do mundo. O Brasil virou um pária internacional. Aquele péssimo exemplo para tudo o que você quiser indicar como o que não deve ser feito”, disse o governador.

Da redação Acontece na Bahia.

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Em nota, Anvisa afirma que a agência “não serve aos interesses de governos”

Na manhã dessa sexta-feira (11), funcionários da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicaram carta publica se posicionando sobre pressão sobre a liberação das vacinas. Assim, os funcionários afirmaram na nota que não servem à interesses políticos e sim às evidencias cientificas.

Além disso, em texto, a Associação dos Servidores da Anvisa afirma que o trabalho técnico está acima de qualquer pressão política.

A Anvisa passa por um momento de extrema pressão externa devido a “corrida das vacinas”, em que o governo de São Paulo investe pesado na vacina CoronaVac, feita pelo laboratório chinês Sinovac e o instituto Butantan, e o governo federal aposta mais nas vacinas de Oxford e do laboratório Pfizer.

Leia a carta na íntegra:

CARTA ABERTA À SOCIEDADE BRASILEIRA EM DEFESA DA AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA

 

Nós, servidores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), reafirmamos, por meio desta carta aberta, o caráter técnico e independente dos trabalhos e das atividades desenvolvidos pelos servidores da Agência na promoção e na proteção da saúde da população. Por se tratar de uma autarquia sob regime especial, conforme define a própria lei de criação da Anvisa, a Agência não serve aos interesses de governos, de pessoas, de organizações ou de partidos políticos.

 

Pressões externas são inerentes ao trabalho desenvolvido por nós, servidores da Anvisa, mas o trabalho técnico está acima de qualquer pressão. A Anvisa é um órgão do Estado brasileiro e está a serviço do povo brasileiro. Ao longo dos seus 20 anos de existência, a Agência consolidou-se como uma referência no setor de saúde justamente pelo trabalho desenvolvido por seus servidores, que resultou na reconhecida excelência da sua atuação regulatória e na credibilidade de suas ações e decisões, baseadas exclusivamente em critérios técnicos e científicos.

 

Deve-se destacar que a Anvisa foi classificada como Agência Reguladora Nacional de Referência Regional pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Em 2019, também foi eleita para ocupar a última vaga disponível no Comitê Gestor do Conselho Internacional de Harmonização de Requisitos Técnicos para Registro de Medicamentos de Uso Humano (ICH). O Comitê Gestor do ICH é composto pelos membros permanentes (Estados Unidos, União Europeia, Japão, Canadá e Suíça) e há quatro vagas para membros eleitos, das quais três foram ocupadas em 2018 (Coreia do Sul, China e Singapura) e, agora, pelo Brasil, cujo mandato vai até 2021.

 

Além disso, em 30 de novembro deste ano, a Anvisa foi formalmente comunicada da conclusão, com sucesso, do processo de adesão da Agência ao Esquema de Cooperação em Inspeção Farmacêutica (PIC/S, do inglês Pharmaceutical Inspection Co-operation Scheme). Assim, a Anvisa se tornou o 54º membro da iniciativa internacional em inspeção farmacêutica, passando a contar com o reconhecimento internacional da excelência das inspeções em Boas Práticas de Fabricação (BPF) de medicamentos e insumos farmacêuticos de uso humano. O cumprimento das Boas Práticas de Fabricação Farmacêuticas por parte das empresas fabricantes é requisito prévio fundamental para a aprovação e a comercialização desses insumos de saúde no Brasil.

 

É importante ressaltar, ainda, que o corpo técnico da Anvisa é constituído por servidores de carreira. Ademais, o Comitê criado para se dedicar exclusivamente à análise dos pacotes de dados contidos nos pedidos de registro e de autorização para uso emergencial das vacinas contra a Covid-19, doença caracterizada como pandemia pela OMS desde março de 2020 e que já vitimou dramaticamente mais de 178 mil brasileiros, tem seguido e respeitado preceitos técnicos previstos no arcabouço regulatório sanitário vigente no país.

 

Nesse sentido, tal comitê tem trabalhado incansavelmente, por meio de avaliação técnica criteriosa, que inclui uma análise rigorosa dos dados laboratoriais, de produção, de estabilidade e clínicos, de forma isenta e sem se submeter a qualquer tipo de pressão política e no menor tempo possível, com o objetivo de assegurar que as vacinas contra a Covid-19 que venham a ser registradas pela Agência sejam seguras, eficazes e produzidas com qualidade. Somos sensíveis e solidários a este momento crítico que todos nós estamos atravessando e temos trabalhado de forma ativa no enfrentamento da pandemia desde o início e em diversas frentes, como no controle sanitário de portos, aeroportos e fronteiras, no registro de kits de diagnóstico da doença, na agilização do registro de respiradores, na elaboração de protocolos de segurança em serviços de saúde, na flexibilização de normas para disponibilização de álcool gel e saneantes, entre outros.

 

Por isso tudo, neste momento de pandemia, ratificamos nosso compromisso com a saúde, com o povo brasileiro e com uma atuação ética, obrigação de todos os servidores públicos, frente a qualquer tipo de pressão ou intervenção política no desenvolvimento de nossas atividades. Estamos cientes da importância e das expectativas em torno das atividades que desenvolvemos na análise da qualidade, da segurança e da eficácia das vacinas para a Covid-19. Sentimos orgulho de contribuir para enfrentar esta situação inédita de pandemia e estamos cientes de que o nosso trabalho irá reverberar em cada família brasileira, inclusive nas nossas próprias. Afinal, também somos cidadãos e somos igualmente afetados pelas decisões da Anvisa.

 

Por fim, prestamos nossa solidariedade a todos os familiares e pessoas que perderam entes queridos em razão da Covid-19 e prestamos também nossa homenagem aos trabalhadores da saúde que se encontram na linha de frente de atuação no enfrentamento da pandemia. Podem ter certeza de que nós, servidores da Anvisa, não faltaremos ao povo brasileiro e daremos nossas melhores energias e todo o nosso conhecimento técnico para aprovar, com segurança e com a urgência que a situação exige, as vacinas que o país aguarda com tanta ansiedade. Mantemos o nosso compromisso de atuar em prol dos interesses da saúde pública, honrando a missão da Agência de “proteger e promover a saúde da população, mediante a intervenção nos riscos decorrentes da produção e do uso de produtos e serviços sujeitos à vigilância sanitária, em ação coordenada e integrada no âmbito do Sistema Único de Saúde”.

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