Jovem é absolvido pela 13ª vez de acusações baseadas em reconhecimento fotográfico

Uma notícia está sendo destaque nesta quinta-feira (27). O jovem Cláudio Junior Rodrigues de Oliveira, de 24 anos, foi absolvido mais uma vez após sentar 14 vezes no banco de réus na acusação de crimes que ele não cometeu. Todas as vezes que Cláudio foi posto como suspeito de crimes foi baseado em álbuns de todos de suspeitos em delegacias e pelo reconhecimento facial com base nessas fotografias.

De todas as vezes em que foi colocado como suspeito, ele foi condenado apenas uma vez e segundo ele, a própria vítima havia dito que não o reconhecia como autor do roubo do qual estava sendo julgado. Por conta disso, ele ficou em regime semi aberto por cinco anos e quatro meses. Isso aconteceu em 2016, ficando na cadeia até 2018. Porém, esse ano de 2021 ele foi preso novamente por mais dois meses.

Essa última vez em que precisou sentar a frente de um juiz, ele respondia por acusação de roubo qualificado, julgada no último dia 20 e foi absolvido.

Com medo de tudo aconteça novamente, ele agora tira selfies todos os dias para ter álibis. “Fico receoso de acontecer de novo. Se acontece um assalto em um dia comum, o que eu faço para comprovar que não era eu? Não tem como eu me filmar 24 horas por dia”, disse.

Agora, ele também luta para que as suas fotos saiam dos álbuns das delegacias. “Essa é a próxima luta. Por enquanto vivo com medo de ter a vida interrompida novamente, mas é ter fé e acreditar em Deus”.

Confira a lista das supostas vezes em que Cláudio foi reconhecido:

Março de 2016: quatro inquéritos na 72ª DP (São Gonçalo).
Abril de 2016: um inquérito na 72ª DP (São Gonçalo).
Maio de 2016: três inquéritos da 72ª DP (São Gonçalo).
Junho de 2016: um inquérito na 72ª DP (São Gonçalo).
Julho de 2016: um inquérito da 81ª DP (Itaipu), em Niterói.
Agosto de 2016: um inquérito da 81ª DP (Itaipu), em Niterói.
setembro de 2016: um inquérito da 81ª DP (Itaipu), em Niterói.
agosto de 2020: um inquérito na 73ª DP (Neves).
novembro de 2020: um inquérito na 73ª DP (Neves).

Mas não é só isso, ele também afirmou que em algumas das audiências em que participou, as vítimas dos roubos diziam que não tinham nem sequer visto a imagem dele na delegacia. “No Fórum, já teve pessoas que disseram que em momento algum viram minha foto. Na penúltima audiência, a vítima era uma policial militar, e ela disse que na delegacia falou que a minha foto parecia, mas que não tinha certeza. Em juízo, disse que não tem nada a ver comigo”, afirmou.

A Polícia Civil, por sua vez, alegou que recomenda aos delegados que não usem apenas o reconhecimento fotográfico como única prova. “é um instrumento importante para o início de uma investigação, mas deve ser ratificado por outras provas técnicas na busca pela verdade”.

 

Da Redação do Acontece na Bahia

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