Morte do adolescente Lucas Terra, violentado, torturado e queimado vivo por pastores completa 20 anos e sem uma resolução

Uma notícia está sendo destaque neste domingo (21). A morte chocante do adolescente Lucas Terra, de 14 anos,  completa hoje 20 anos sem uma resolução. O jovem foi brutalmente assassinado em 2001 por pastores de Igreja Universal do Reino de Deus, em Salvador e apenas um dos acusados foi acusando, cumprindo apenas uma parte da pena.

No início do ano de 2001, a família Terra estava de mudança para a Itália para trabalhar em um restaurante. A mãe do adolescente, Marion, no entanto, já teria se mudado em dezembro de 2000 e esperava o restante da família, que incluía Lucas, o marido e outros filhos.

Lucas era um jovem muito religioso. Em janeiro de 2001 ele começou a frequentar a Universal no bairro de Santa Cruz. Juntamente com outros jovens, ele visitava favelas, evangelizavam crianças e faziam ações solidarias. Por conta da religião, ele chegou a ficar desencantado com a viagem para a Europa, querendo se tornar um obreiro da igreja – os obreiros são religiosos que atuam juntamente ao pastor na organização do templo e atividades-. Além disso, Lucas tinha uma namorada por quem era apaixonado e também frequentava a Universal.

Na noite do crime, Lucas foi convidado pelo pastor Silvio Galiza, seu mentor, para receber a gravata de obreiro, em uma Universal da Pituba. Galiza foi apontado por testemunhas como um homem que mantinha uma relação de dominação sobre o adolescente. Ao chegar no templo da Pituba, de acordo com Galiza, Lucas flagrou os pastores Fernando Aparecido da Silva e Joel Miranda Macedo em ato sexual no templo. Essa seria a causa da morte do jovem, segundo o depoimento de Galiza em 2008.

Lucas foi levado a força para um outro templo da igreja, no Rio Vermelho, e lá foi torturado, abusado sexualmente e queimado vivo dentro de um caixote em um terreno baldio. O corpo do adolescente só foi encontrado dia 23 de março pelo seu pai, Carlos Terra, enquanto procurava o paradeiro do filho. Marion, a mãe, só ficou sabendo da morte duas semanas depois e voltou imediatamente para o Brasil. O corpo do menino só pôde ser enterrado 43 dias depois por conta da demora em analisar o corpo carbonizado e fazer o teste de DNA para confirmar o corpo.

O inquérito do caso só foi concluído em outubro de 2001. A demora pela resolução do caso fez com que Carlos Terra, pai do garoto, protestasse nas ruas, na frente do Fórum Ruy Barbosa e participava de palestras. O casal precisou enviar uma carta à ONU para questionar a demora no processo e questionar como o pastor Galiza, que morava numa periferia, pagava um time de advogados. Somente depois de muita pressão por parte da família que em 2004 o pastor teve o primeiro julgamento. Os outros dois religiosos e acusados do crime só passaram a ser investigados em 2008 com um depoimento de Galiza. Porém, foram inocentados em 2010 por falta de prova. Galiza foi condenado por 23 anos, depois teve a pena reduzida para 18 anos, e posteriormente para 15. Ele cumpriu sete anos de pena e hoje está em liberdade condicional.

Segundo Marion a Universal tentava impedir a condenação dos três pastores e assim como a namorada da vítima, vivia sofrendo ameaças. Marion na época precisava trocar de casa praticamente todo mês por conta das intimidações. A família, desde o crime, luta pela resolução do caso e não se conforma com a crueldade e impunidade. Carlos Terra morreu em 2019, após uma parada cardiorrespiratória, e segundo relato, ele lutou até o fim pelo filho. Hoje, no entanto, o caso completa 20 anos, sem uma solução.

Da Redação do Acontece na Bahia

 

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