Réu no caso Boate Kiss chora e e afirma que “o fogo se propagou no momento que eu joguei água”

Sem dúvidas, um do casos que mais mexeu com os brasileiros. Durante o julgamento, o acusado foi interrogado e informou como as coisas aconteceram naquela noite. De acordo com ele, o fogo tinha uma característica diferente.

Luciano Bonilha foi interrogado no tribunal do júri no caso da Boate Kiss. Ele é réu e trabalhava como ajudante da banda Gurizada Fandangueira no dia do fatídico ocorrido que deixou 242 pessoas mortas e 600 outras feridas. Ao falar no júri, Luciano relatou sobre o momento em que o fogo, que tinha características diferentes, se alastrou pela boate e que ele tentou controlar as chamas com água, o ajudante afirmou:

“Quando foi instalado tudo na frente do palco e atrás da cortina, quando abriu começa a banda com o gaitaço. Tocaram quatro músicas e uma introdução de gaita. Eu introduzo a munhequeira na mão do Marcelo. Daí eu apertei, tirei a luva da mão dele e fui fazendo. No lugar que eu estava era muito apertado. Eles continuaram tocando por uns três minutos e eu ouvi que disseram ‘Luciano está pegando fogo’. Era bem azul o fogo. O fogo se propagou no momento que eu joguei água.” Na sequência, o pessoal começou a fugir do local. Luciano afirmou:

“Eu vi o rapaz pegar o extintor debaixo do bar e alcançar para o Marcelo. Eu estava do outro lado, o Marcelo pegou o extintor e não funcionou, achei que o Marcelo não sabia usar o extintor. Não tinha o lacre, era xoxo. Nós só saímos porque eu ouvi alguém gritar ‘sai, sai.”

Além disso, Luciano relatou que não conhecia a banda, mas chegou a trabalhar com eles por 14 vezes, algumas delas com espetáculo pirotécnico. O ajudante também relatou que não havia sido informado sobre as condições do local da Boate Kiss e que não imaginava passar pelo que está vivendo hoje:

“Não conhecia a banda. Na boate Kiss, foram três ou quatro shows. No palco novo, foram duas vezes[…]Fiz todo o meu trabalho. Eu e o Danilo andávamos sempre juntos. Acredito que o Danilo não ia me colocar na situação que eu estou de estar preso. Eu acredito que o Danilo não ia me levar para dentro de uma casa se fosse proibido. Não foi avisado [sobre as condições de revestimento do material que pegou fogo e do teto baixo]. Se acreditava que tudo era seguro.”

Por fim, Luciano desabafou: “Queria dizer que o coração dos pais não está entendendo a minha dor, mas eu não tenho como entender a dor deles. Se eu tivesse morrido lá, eu tenho aqui a maior joia da minha vida, que é a minha mãe. Esses pais não têm mais o abraço dos filhos, o carinho. Eu digo que hoje estou sentado aqui, tenho a consciência tranquila que não foi o meu ato. Para tirar a dor dos pais, eu tô pronto, me condene.”

Da Redação do Acontece na Bahia

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