Projeto Vida no Trânsito busca reduzir os acidentes de trânsito e transporte

 

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam para a ocorrência de 1,3 milhões de mortes no trânsito a cada ano, no mundo. O Brasil aparece em 5º lugar entre os países recordistas em mortes no trânsito, precedido pela Índia, China, Rússia e Estados Unidos. Os dados foram apresentados hoje, durante a abertura do workshop “Vida no Trânsito”.

O evento, que está sendo realizado no Hotel Vila Velha, numa iniciativa conjunta do Ministério da Saúde e secretarias estadual e municipal de Saúde de Salvador, prossegue até a próxima sexta-feira, dia 24, com o objetivo de definir estratégias para o enfrentamento do problema dos acidentes de trânsito e, consequentemente, subsidiar o planejamento do plano de ação do Projeto Vida no Trânsito para o estado da Bahia.

O Projeto Vida no Trânsito, lançado pelo Ministério da Saúde, é uma ação interministerial, desenvolvida em parceira com a Organização Panamericana de Saúde (Opas) e a Bloomberg Philanthropies, fundação internacional de promoção de atividades na área social. O principal objetivo do projeto é reduzir lesões e óbitos no trânsito em municípios previamente selecionados.

“Efeitos Devastadores”

Durante a instalação do evento “Vida no Trânsito”, essa manhã, Ana de Fátima Nunes, da diretoria de Vigilância Epidemiológica da Sesab, representando o secretário da Saúde do Estado, Jorge Solla, falou sobre a importância do encontro, sobretudo pela oportunidade de serem conhecidas experiências exitosas de outros municípios, a exemplo de Curitiba, na redução dos acidentes de trânsito.

O secretário municipal de Saúde de Salvador, José Antônio Rodrigues Alves, classificou os efeitos dos acidentes de trânsito na área de saúde como “devastadores”, lembrando que em 2003 o Hospital Geral do Estado (HGE) dispunha de 12 leitos destinados a pacientes com trauma raquimedular e desse total, 50% eram ocupados por vítimas de acidentes no trânsito. “Atualmente, são mais de 60 leitos comprometidos com vítimas de acidentes no HGE e mais 30 em outras unidades hospitalares”, concluiu o Secretário.

Ainda conforme José Antônio, a questão do trânsito está muito relacionada à cultura de cada cidade, mas é muito importante conhecer a realidade de outros municípios no enfrentamento do problema. O secretário afirmou também que nos últimos 10 anos o número de acidentes de trânsito dobrou em Salvador, e falou sobre o impacto da “lei seca”, e a resistência de grande parte da sociedade à lei, por entender que representa um controle do estado sobre suas vidas.

Para Marta Maria Alves da Silva, representante do Ministério da Saúde no workshop, os acidentes de trânsito se tornaram um problema de saúde pública, por se constituir, hoje, em uma das maiores causas de mortes, principalmente entre jovens. De acordo com dados de 2011 do IBGE, no Brasil ocorrem 45 mil mortes/ano em conseqüência de acidentes de trânsito, e o Ministério da Saúde tem um gasto estimado em R$ 200 milhões por internações decorrentes destes acidentes.

O assessor da OPAS, Victor Pavarino, mencionou sua experiência no Hospital Sarah Kubistschek revelando que a partir da década de 90, 70% das lesões cerebrais dos pacientes atendidos na unidade eram causadas pelo trânsito.

“Vida no Trânsito”

Para a implementação do projeto nas cidades, foram eleitos dois fatores de risco prioritários, que devem nortear as medidas de prevenção: associação entre direção e bebida alcoólica e excesso de velocidade, mas outros fatores podem ser agregados pelos municípios.

O projeto teve origem com a escolha do Brasil para integrar uma ação global chamada Road Safety in 10 Countries (RS 10), coordenada pela OMS e Opas, e financiada pela Bloomberg Philanthropies. Os objetivos são estimular, nos países financiados, ações de prevenção a lesões e mortes no trânsito e aumentar a capacidade de avaliar os projetos.

Além do Brasil, a OMS e a Bloomberg Philanthropies selecionaram outros nove países para implantar projetos de segurança no trânsito: Rússia, Turquia, China, Egito, Índia, Camboja, Quênia, México e Vietnã. Esses países foram escolhidos em função da alta taxa de mortalidade causada pelo trânsito, pois, juntos, respondem pela metade das mortes no trânsito em todo o mundo.

Cenário Nacional

De acordo com dados do Ministério da Saúde, mais de 300 mil brasileiros perderam a vida no trânsito entre os anos de 2000 e 2008. Entre as causas externas, os óbitos decorrentes de acidentes de trânsito representam a primeira causa nas faixas etárias de 5 a 14 anos e de 40 a 60 anos de idade ou mais. Ainda considerando as mortes por causas externas, o trânsito é o segundo maior motivo de óbito para quem tem idade entre zero e 4 anos e entre 15 e 39 anos.

Estimativas da OMS, publicadas no Informe Mundial sobre Situação da Segurança Viária, em 2009, indicam que 1,3 milhão de pessoas morrem anualmente no trânsito e que, até 2030, esse número poderá chegar a 2,4 milhões, caso medidas enérgicas não sejam tomadas. Mais de 90% dos acidentes com vítimas fatais ocorrem em países de baixa e média renda, que concentram menos da metade da frota mundial de veículos motorizados.

Os usuários mais vulneráveis são os pedestres, motociclistas e ciclistas. Os dados mostram, também, que 44% dos países no mundo não têm políticas que estimulem o uso de transporte público como alternativa aos automóveis. Em Salvador, em 2011, foram realizadas 12.410 internações pelo SUS por causas externas e destas, 989 foram devido a acidentes de trânsito e transporte. Os tipos de acidentes que tiveram maiores proporções de internações foram aqueles que envolveram motociclistas – 49,8%.

Fonte: A.G. Mtb 696/Ba
DANT/trânsito1

Categoria(s): Regional.

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