“Poderes Antigos da Mata”: Lázaro é comparado a Lampião e a Quintino por suas habilidades de despistar agentes com maestria e desaparecer nas florestas

Os desdobramentos do caso protagonizado pelo baiano Lázaro Barbosa estão gerando novas discussões e chegando a novos campos. Nesta quinta-feira (17), se intensificaram as comparações dele com outros nomes de foragidos que também deram trabalho para as autoridades. Além disso, algumas pessoas até chegaram a falar em misticismo e supostos poderes e pactos do então procurado, que já mobiliza mais de 200 agentes a sua procura. Mas afinal, o que Lázaro faz?

Sem dúvidas, um dos questionamentos mais frequentes é o seguinte: Como é possível que um foragido, munido de equipamentos rústicos e de uma arma de pequeno porte, consiga escapar de mais de 200 homens com fuzis, drones com sensores de temperatura, cães treinados e helicópteros? Lázaro deixou essa resposta por onde passou e por isso está sendo comparado a Lampião e a Quintino, além abrir margem para discussões sobre um suposto poder sobrenatural e trazer à tona a mitologia rural do Brasil.

Lampião, Quintino e Lázaro

Primeiro, ele se assemelha ao cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, principalmente por deixar um rastro de violência por onde passa, sem hesitar. Frio e destemido, ele não apenas tirou a vida de inocentes, mas também teve a coragem de trocar disparos com forças muito mais preparadas e mais bem equipadas do que ele, assim como Lampião fez no passado. Já Quintino da Silva Lira, mais conhecido como Quintino Gatilheiro, era mais seletivo com seus conflitos pois era um ativista que brigou contra fazendeiros para defender terras e produções rurais.

Contudo, também fez vítimas e se tornou muito temido na região do Pará, sendo considerado um bandido e praticamente se tornando uma lenda. Em relação a Quintino, Lázaro se assemelha muito por ser muito escorregadio e por se abrigar na mata, se camuflando com maestria e causando dor de cabeça nos policiais que o caçam. Quintino escapou por tantas vezes que chegou até a gerar especulações sobre uma possível natureza sobrenatural. Certa vez, Quintino teria dito: “Se a polícia vier me perseguir, eu me viro num cachorro, num bode, eles passam por mim e não me veem não.” E muitas pessoas estão questionando se Lázaro também não “faria isso”.

Por conta dessas comparações envolvendo supostos “poderes da mata” e traços violentos, Lázaro tem se aproximado cada vez mais dessas personalidades e gerado boatos sobre supostos rituais e pactos sombrios. Inclusive, uma das vítimas dele teve a orelha arrancada para esse propósito. De acordo com o secretário de Segurança Pública do Estado de Goiás (SSP-GO), Rodney Rocha Miranda, ele provavelmente faria um ritual com a família que fez de refém durante a perseguição dessa semana. O secretário afirmou: “Como de costume, ele ia levar a família para a beira do rio, obrigar a tirar a roupa e matar a todos”. Mas qual conclusão podemos tirar disso tudo?

Na realidade, o que se sabe é que Lázaro é um mateiro treinado e experiente. Por muitas vezes, ele dormiu na mata e aprendeu a sobreviver nela, se tornando algo natural para ele. Outro fator que dificulta o trabalho da polícia é a região onde ele está, muito melhor conhecida por ele, já que fez de lá uma morada. Além disso, essa não é a primeira vez que ele é perseguido, tendo vivido a mesma situação em 2008, na Bahia, demorando 15 dias para ser rendido pelos agentes. Em entrevista ao Jornal de Brasília, Valter Lourenço dos Santos, Sargento da Polícia Militar que comandou a operação na época, falou sobre a perseguição:

“Lázaro se movimenta muitíssimo bem no mato, é caçador. Ele conhece o mato como a palma da mão dele. Na época dos crimes, descobrimos um rancho que era dele no meio do mato, onde ficava por dias. Tinha caldeirões, um colchão velho e cobertas”, conta o sargento Valter. “Esse conhecimento dele atrapalhou muito as buscas. Tivemos que contratar dois vaqueiros que conheciam bem a caatinga para ajudar a rastreá-lo. Acredito que essa seja a mesma dificuldade da polícia daí[…] Quando se sentir cansado e gastar todos os recursos que tem, talvez ele procure alguém para ajudá-lo a se entregar, sem correr o risco de ser morto.”

Da Redação do Acontece na Bahia.

 

 

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