‘Perdi a capacidade de me lembrar de como era a vida sem você’, posta mulher de Erasmo Carlos

A pedagoga Fernanda Passos, mulher de Erasmo Carlos, usou as redes sociais para homenageá-lo em um último post, publicado no final da manhã desta terça-feira (22). Ambos haviam se casados em 2019. O cantor e compositor estava internado no Hospital Barra D’Or, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste da cidade, e morreu no final da manhã.

Juntos desde 2018, Fernanda lembrou do carinho do Tremendão consigo. O artista escreveu a canção “Amor é isso”, um de seus álbuns, para a amada.

“Não posso dizer que todos os momentos foram, são ou serão fáceis. Promessa é uma coisa ilusória, embora vivamos prometendo coisas aos 4 ventos, o que importa mesmo é a presença, a permanência, a insistência … e disso você entende bem. Você é lar, você acolhe, você enxerga, você crê”, diz trecho da publicação, que segue:

“Perdi a capacidade de me lembrar de como era a vida sem você, talvez ela nem tenha existido… e talvez tenha sido tão simples esquecer porque a gente se acostuma facilmente com a paz. Não foi de primeira, você brigou muito para mostrar, mas por fim encontrei a paz em você. Gostaria de ser maior, melhor e mais forte, te proteger de tudo, brigar por você e dominar todas as áreas do que um dia você venha a precisar. Talvez aí se iniciem os problemas de muita gente, quando encontramos quem para nós é tudo, começamos a querer retribuir, também queremos ser tudo”, destacou a pedagoga.

E Fernanda Passos concluiu: “E ah, meu bem … é impossível ser tudo, tentar ser tudo é um mar de frustrações e angústias com ondas de culpa … desse mal eu tento me curar, quero olhar com compaixão para mim e entender que já sou o bastante por você me amar”.

Tremendão havia recebido alta médica na última semana
No último dia 2, o artista comemorou a alta após duas semanas de internação para tratar uma síndrome edemigênica. Mas Erasmo voltou a ser hospitalizado — a TV Globo apurou que ele chegou a ser intubado na última segunda-feira (21).

A doença ocorre quando há um desequilíbrio das forças bioquímicas que mantêm os líquidos dentro dos vasos sanguíneos e geralmente é causada por patologia cardíacas, renais e dos próprios vasos.

“Ressuscitei no Dia de Finados e tive alta do hospital! Obrigado a Deus, a todos que cuidaram de mim, rezaram por mim e torceram pela minha recuperação… Essa foto com a Fernanda traduz como estamos felizes”, postou o cantor na ocasião, citando a mulher.

Mais de 600 músicas
Autor de mais de 600 músicas e de clássicos como “Sentado à Beira do Caminho”, “Minha Fama de Mau”, “Mulher”, “Quero que tudo vá para o inferno”, “Mesmo que seja eu” e “É proibido fumar”, o artista deixa uma legião de fãs e amigos que fez pela estrada.

Foi na Tijuca onde nasceu Erasmo Esteves, em 5 de junho de 1941. Grandes nomes da MPB participaram da infância do cantor, no bairro da Zona Norte do Rio, como Tim Maia e Jorge Ben Jor.

Na adolescência, gostava de se reunir com a turma no Bar do Divino, na Rua do Matoso. Foi nessa época em que ele conheceu Roberto Carlos, durante um concerto de Bill Haley no Maracanãzinho – o que teria aberto os olhos do carioca para começar seu próprio grupo.

Erasmo Carlos durante participação na novela ‘Sol Nascente’ (2016) — Foto: Acervo Grupo Globo
Erasmo Carlos durante participação na novela ‘Sol Nascente’ (2016) — Foto: Acervo Grupo Globo

Assim, antes da carreira solo, o artista passou por outros grupos musicais, como os Snakes, ao lado de outros tijucanos, mas que durou só até 1961. Sem acreditar que conseguiria seguir sozinho na música, ele decidiu, então, trabalhar como assistente do apresentador e produtor Carlos Imperial, que o ajudou a dar o próximo passo, rumo a outro grupo musical.

Mais tarde, ele se tornou, então, vocalista do grupo Renato & Seus Blue Caps. Erasmo garantiu a contratação do conjunto por uma gravadora e fez sucesso em uma faixa ao lado de Roberto Carlos, marcando o início da parceria entre os dois. Erasmo compôs mais de 500 canções com o amigo.

“Erasmo Carlos”, portanto, não passava de um nome artístico em homenagem aos parceiros que estiveram com ele no início da carreira: Roberto Carlos e Carlos Imperial. Outros apelidos lhe acompanharam: Tremendão e Gigante Gentil.

Poucos anos depois, ainda nos anos 60, a dupla Roberto e Erasmo já se destacava como uns dos principais compositores da Jovem Guarda ao som do iê-iê-iê. Sob influência do pop britânico dos Beatles, o carioca se mudou para São Paulo e, com o passar dos discos, Erasmo se tornava ícone da bossa e da MPB.

Não muito tempo longe de casa, ele voltou a morar no Rio de Janeiro após gravar “Aquarela do Brasil”, em 1969. Em 1985, Erasmo esteve na primeira edição do Rock in Rio, nas plateias lamacentas.

Ainda em 2001, o cantor lançava seu 22º disco, “Pra Falar de Amor”, quando completou 60 anos. No ano seguinte, Erasmo reunia já 40 anos de carreira. Na comemoração dos 50 anos de estrada, a festa foi no Theatro Municipal do Rio.

Ao longo dos anos, grandes nomes se juntaram ao artista, como Chico Buarque, Lulu Santos, Zeca Pagodinho, Skank, Los Hermanos, Djavan, Adriana Calcanhotto, Marisa Monte, Frejat, Marisa e Milton Nascimento.

Em seu último aniversário, o Tremendão usou as redes sociais para fazer um post autobiográfico.

“Sou o resultado das minhas realizações…gols e bolas na trave fazem parte do jogo já que a vida é curta e minha vontade é eterna…sou o que pude e o que tentei ser plenitude…quis ser muitos e sobrou um quando dispensei meia-dúzia dos que não me souberam ser…contagiado pelo bem tornei-me um guerreiro da paz…o meu canto será ouvido assim como o som dos ventos, enquanto o sol brilhar e as lembranças resistirem…dei passos vendados em caminhos movediços para ser merecedor de um lugar no pódio do amor !!! FELIZ ANIVERSÁRIO PARA MIM !!!”, postou.

com informacões do g1