Parente de vítimas de naufrágio em Madre de Deus lamenta tragédia; ‘A cidade está em luto’

Edson Santos, servidor público de 66 anos, está entre os enlutados pela trágica ocorrência na noite de domingo (21) em Madre de Deus, na Região Metropolitana de Salvador. Neste momento, ele enfrenta a angústia de ter três familiares ainda desaparecidos no naufrágio: uma criança de seis anos e dois homens. “A cidade está em luto”, lamenta Edson.

A notícia do acidente chegou a Edson por volta das 21h do dia anterior. As vítimas estavam retornando da Ilha de Maria da Guarda para o píer de Madre de Deus, onde participaram da festa Madre Verão. Com emoções à flor da pele e segurando as lágrimas, Edson relata que optou por não participar da festividade e revela que o naufrágio teve início com uma discussão dentro do barco, ainda na Ilha de Maria Guarda. Edson, que é marinheiro regional de convés, também comenta sobre as condições de insegurança da embarcação.

“O barco é projetado para levar oito pessoas, mas havia mais. O marinheiro deve fornecer coletes às pessoas. Não é permitido atravessar sem colete. Isso é o que causa problemas graves”, desabafa.

Relembrando os eventos do acidente, este ocorreu por volta das 22h, quando o barco partiu da Ilha de Maria Guarda em direção ao píer de Madre de Deus. Na ilha, estava acontecendo a festa Madre Verão 2024, promovida pela prefeitura. Testemunhas relatam que houve uma confusão entre os ocupantes da embarcação antes de ela virar.

Segundo a prefeitura, entre os corpos encontrados na noite de domingo, havia três mulheres, um homem e uma criança. O sexto corpo foi descoberto na manhã de segunda-feira (22), em Loreto, na Ilha dos Frades. Embora não haja um número exato de pessoas a bordo, o Corpo de Bombeiros está em busca de mais duas pessoas desaparecidas.

A Marinha mobilizou uma equipe de Busca e Salvamento (SAR) da Capitania dos Portos da Bahia (CPBA) assim que soube do acidente. Em nota oficial, a Marinha informou: “O Comando do 2º Distrito Naval está, adicionalmente, reforçando a operação de busca e salvamento com o Aviso de Patrulha ‘Dourado’ e a Lancha de Inspeção Naval Blindada ‘Guaiúba’, pertencentes ao Comando do Grupamento de Patrulha Naval do Leste”.

As operações de busca contam com a participação de uma embarcação da Companhia de Polícia de Proteção Ambiental – COPPA-PMBA, uma aeronave do Grupamento Aéreo – GRAER e outras embarcações civis.

Em uma entrevista à TV Bahia, o Capitão dos Portos da Bahia, Wellington Lemos Gagno, anunciou a abertura de um inquérito para investigar as causas e responsabilidades do acidente. “Um inquérito para apuração de incidentes de fatos de navegação já foi aberto e vai apurar as prováveis causas do acidente e responsáveis”, afirmou. Ele destacou que a embarcação, classificada como saveiro e na categoria ‘esporte e recreio’, não deveria transportar passageiros comercialmente. “É uma embarcação tipo saveiro, categoria esporte e recreio, destinada à recreação. Não deveria transportar passageiros de forma comercial”, enfatizou. O Capitão dos Portos também observou que a embarcação estava com mais de 11 passageiros no momento do acidente.

Da redação do Acontece na Bahia

Crédito: Wendel Novais/CORREIO