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O REI PELÉ

“Pelé foi um grande jogador porque permaneceu no Brasil; na Europa, ele teria fracassado.” “Naquela época, era mais simples; qualquer um poderia ter triunfado.” “Os rivais de Pelé eram agricultores; os goleiros nem sequer usavam luvas.” “Os jogadores caminhavam pelo campo; não havia forma física.” São muitos os argumentos que foram tentados para desvalorizar suas conquistas e méritos. Hoje, 29 de dezembro, marca o primeiro aniversário da morte do único tricampeão da Copa do Mundo, e na TSO queremos homenageá-lo desmentindo as falácias sobre sua carreira no futebol.

A falta de cultura futebolística é evidente entre aqueles que tentam menosprezar seu legado. Um ícone do esporte e o primeiro embaixador da globalização mundial do futebol. Ele gerou interesse sem precedentes no esporte mais popular da época; todos queriam vê-lo jogar. Para a história, ficam várias anedotas, como quando a guerra civil na Nigéria foi interrompida por dois dias simplesmente porque Pelé estava prestes a disputar uma partida. Essa é a magnitude de sua figura.

Todo mundo conhece suas realizações coletivas e estatísticas individuais. No entanto, poucos estão realmente cientes do impacto que ele teve no desenvolvimento posterior do futebol. Sua maneira de jogar, tanto individualmente quanto em conjunto com seus companheiros, mostra claramente que ele é o pioneiro de um estilo de jogo que equipes históricas adotariam e evoluiriam anos mais tarde.

Pelé deslumbrou o mundo com sua habilidade de dominar a bola. Seus movimentos, suas jogadas habilidosas e sua maneira de usar o corpo foram o que chamou a atenção e o destacou acima dos demais. Era algo radicalmente diferente de tudo o que havia sido visto até então. Ele driblava adversários e finalizava em direção ao gol com recursos inovadores e muito vistosos para o espetáculo. Além disso, se olharmos para a história, veremos que a maioria dos dribles que vimos, até mesmo os que atribuímos diretamente a um jogador, são truques que Pelé já realizava antes. O ‘Ronaldo Chop’, a croqueta de Iniesta, as rabonas, o ‘Cruyff Turn’, os chapéus, a roleta de Zidane, os cortes, as bicicletas, os dribles, os controles com diferentes superfícies, chutar a bola de calcanhar, os túneis, … Vídeos mostram que Edson Arantes do Nascimento, Pelé, estava à frente de seu tempo.

Por outro lado, coletivamente, junto com seus companheiros de seleção, ele estabeleceu a base para o jogo combinativo. A seleção brasileira de Pelé, especialmente a de 1970, entendia que a bola deveria correr mais do que os jogadores. Jogadas em que a bola ia de pé em pé, subindo da defesa para o ataque com passes criteriosos, buscando o companheiro livre para desgastar lentamente a defesa adversária até encontrar espaços. A ‘Laranja Mecânica’, liderada por Johan Cruyff, assumiria o legado na mesma década para dar continuidade a essa forma de jogar. Johan Cruyff, já como treinador do FC Barcelona nos anos noventa, seria o primeiro a ser reconhecido por usar esse estilo de jogo, onde toda a equipe deve ter bom controle de bola e estar em constante movimento. Por fim, Pep Guardiola, herdeiro do holandês, tornou-se o maior expoente e praticamente aperfeiçoou esse estilo de jogo.

O alcance da sua figura é tão grande que vai além dos campos de jogo. Seu nome é a primeira associação que os contemporâneos fazem com o Brasil. Eles podem não conhecer a bandeira do país, mas reconhecem a camisa da seleção, a famosa ‘Verdeamarela’. Até mesmo os brasileiros contam histórias de quando viajam para o exterior e ouvem frases como “Eu vi o Pelé jogar”. A partir dos anos setenta, mesmo ainda em atividade, ele foi recebido no exterior por grandes autoridades como um embaixador brasileiro, uma situação que se tornaria mais frequente após sua aposentadoria em 1977.

Ele também marcou um antes e depois no aspecto econômico do esporte. Hoje em dia, é muito comum ver jogadores sendo patrocinados por várias marcas, até mesmo jogadores menos conhecidos. No entanto, na época de Pelé, isso era praticamente inaudito. A Puma foi responsável por estabelecer o primeiro grande acordo entre um jogador e uma marca, calçando os pés da lenda brasileira. A marca alemã, que pode se orgulhar de ter patrocinado figuras como Johan Cruyff, Diego Armando Maradona e, atualmente, Neymar Jr., além de fornecer suas chuteiras, também empreendeu ações de marketing com ele. Uma imagem histórica é a de Pelé amarrando os cadarços das ‘Puma King’ antes das quartas de final da Copa do Mundo de 1970, contra o Peru. Ele recebeu 120.000 dólares da época, uma quantia enorme por “simplesmente” se abaixar para amarrar suas chuteiras antes do apito inicial, quando todos os holofotes estavam sobre ele.

Apesar de todo o impacto que sua pessoa e legado futebolístico tiveram e ainda têm, ao longo dos anos foram criadas falácias para desacreditá-lo. É verdade que Pelé nunca jogou em um clube europeu, mas a realidade é que naquela época havia ligas mais poderosas e de maior nível fora do continente europeu. A liga brasileira, graças ao talento de seus jogadores, era uma das mais competitivas na época. O Santos de Pelé soube dominar na década de 1960, conquistando 6 títulos nacionais.

Também é mentira que ele nunca enfrentou os titãs europeus. Os clubes europeus, e do mundo todo, faziam fila para jogar amistosos contra o Santos. Grandes turnês eram organizadas ao redor do globo para que fãs de todas as partes tivessem a oportunidade de ver o “O Rei” jogar. Além disso, essa iniciativa promoveu a expansão do futebol, pois sua popularidade era capaz de reunir grandes multidões que começaram a se interessar pelo esporte graças a ele.

As comparações são odiosas, ainda mais quando se trata de diferentes épocas. A maneira de entender o jogo no passado era diferente da atual. Os sistemas de jogo não estavam desenvolvidos, a preparação física não era uma questão fundamental e a tecnologia era escassa. No entanto, isso não invalida as conquistas de Pelé, especialmente quando ele tinha os mesmos recursos que seus rivais. Ele enfrentou os melhores defensores da época e nenhum deles era capaz de pará-lo, assim como ninguém conseguia replicar o seu jogo.

Por outro lado, uma faceta desconhecida sua é sua brilhante condição física e suas habilidades atléticas. Pelé era um verdadeiro prodígio físico: rápido, forte e ágil. Com passadas poderosas, deixava seus adversários para trás; sua potência de salto permitia cabeceios e finalizações acrobáticas; sua musculatura lhe conferia equilíbrio nos choques e resistência para os jogos. Além disso, possuía uma brilhante coordenação e uma visão de jogo excepcional, sendo capaz de ler o jogo para realizar a jogada mais inteligente a cada instante.

Em resumo, Pelé elevou o status do Brasil, revolucionou o jogo, expandiu o futebol e é um ícone da disciplina. O melhor jogador de todos os tempos.

Crédito: Luca Ortiz // @lucacho999

Crédito: thespecialoneopinion.blogspot.com