Artigo: O abandono e a crueldade contra os animais.

 

 

Foto: Agnaldo Podestá. Facebook

Por Agnaldo Podestá, estudante de turismo e ativista de proteção aos animais.

 

Discute-se bastante sobre a questão dos maus-tratos, sejam às crianças, aos idosos, às mulheres ou a qualquer outro grupo minoritário em direitos. Entretanto, cada dia mais a população deixa de lado o antropocentrismo exacerbado e cresce a preocupação com um outro grupo: os animais.

A sociedade ocidental historicamente encara com passividade os atos brutais contra seres considerados inferiores; contudo, nem todos conformam-se com isso. A crueldade contra os animais e a situação dos animais de rua são temáticas interdependentes, e é complicado tentar dissociá-las. Na Bahia, essa ainda é uma luta considerada recente, e faz pouco tempo que os chamados “protetores” conseguiram algum espaço, que ainda é pequeno e mantido somente com muito esforço.

Entre as muitas dificuldades, está a falta de dados substanciais; por nunca ter sido feito um estudo rigoroso sobre o número de animais de rua, as entidades costumam basear-se em estimativas; na cidade de Salvador, por exemplo, o número mais utilizado para divulgação pelas ONGs é o de 100.000 animais desabrigados.  Essa grande quantidade, por sua vez, gera o problema da superpopulação, cujo controle é responsabilidade do governo nos âmbitos local e federal; contudo, é sabido que essas esferas nem sempre cumprem seu papel, cabendo às ONGs e aos protetores independentes abraçarem essa incumbência. Para que exista esse controle, a castração é a única providência cabível, mas que infelizmente ainda não é aceita por todos, o que contribui para o agravamento do problema.

Outro ponto relevante é a subjetividade do conceito de “maus-tratos”; ainda que seja uma perversidade deixar um cão confinado em um espaço pequeno ou obrigá-lo a ficar sob o sol quente, para muitas pessoas estas podem ser atitudes aceitáveis. A permissividade com relação a isso gera outra complicação, que é o fato de nem todos os casos de abuso serem devidamente registrados; e, quando isso ocorre, ainda que maus-tratos a animais domésticos, nativos ou exóticos sejam caracterizados como crimes ambientais, a impunidade é comum.

Em meio a isso estão as ONGs, que são muito importantes para conduzir e apoiar as estratégias governamentais e a criação de políticas públicas; há na cidade de Salvador algumas bastante relevantes, como a ABPA, que presta assistência a mais de mil animais por mês e que é mantenedora do Abrigo São Francisco de Assis, localizado no Subúrbio, onde mais de quinhentos animais, entre gatos e cachorros, são cuidados. Há também outras de extrema importância, como a Célula Mãe, a Terra Verde Viva e a Cuidar é o Bicho; como muitas delas sobrevivem sem ajuda governamental, a colaboração dos seus associados e simpatizantes da causa animal é essencial.

A adoção dos animais abandonados é um dos grandes objetivos de todos que visam à causa; contudo, ainda são tomadas resoluções pontuais que, embora possam ser de alguma ajuda, muitas vezes acabam sendo sinônimo de “enxugar gelo”. Por conta disso, pensa-se na necessidade de medidas abrangentes que abarquem, inclusive, a educação. Esse é um dos elementos mais relevantes e urgentes para que esses problemas sejam sanados, lembrando a importância de conectar os diferentes meios onde as informações são vinculadas e desenvolver a consciência enquanto cidadão respeitador da vida. Nesse contexto é difundida a idéia de posse responsável, em que o adotante compromete-se a cuidar do animal adotado e de seus descendentes, fornecendo não somente comida e água suficientes, mas também o que for necessário para sua saúde e interação social, o que garante seu bem-estar. Essa idéia perpassa também outras, como a preocupação em evitar que o animal ofereça riscos às outras pessoas e outros animais.

 

Adentrando o cenário atual, para os protetores, a eleição da vereadora Ana Rita Tavares foi um grande marco para a defesa animal. Suas propostas contemplam projetos para hospital veterinário, castramóvel, direito à vacinação contra zoonoses, crematório público, mudança da legislação penal  e criação de comissão de defesa dos animais.

Entre a resolução dos problemas, está à atenção às denúncias, que podem ser feitas ao se entrar em contato com o Ministério Público do Meio ambiente, órgão responsável pela apuração de denúncias de maus tratos. À parte isso, pode-se buscar auxílio das associações de proteção e bem-estar animal. Com relação a isso, um ponto que merece destaque é a importância das redes sociais, que promove a interação entre os protetores e que, desse modo, conseguem ajudar mais animais; entretanto, o alcance dessa ferramenta não deve ser superestimado, e não adianta simplesmente denunciar algum caso de violência no Facebook, por exemplo, sem procurar aquelas unidades competentes que, de fato, poderão fazer algo a respeito.

É válido lembrar que, embora a situação dos animais domésticos nos toquem mais de perto, a crueldade sofrida não é prerrogativa deles. Animais de grande porte – mesmo silvestres – são continuamente maltratados. Pensando nisso, outros movimentos importantes aliaram-se à causa, como é o caso do vegetarianismo e do veganismo (filosofia de vida em que não se consome nada de origem animal e que vai contra sua exploração).

A situação complica-se ainda mais quando trata-se, por exemplo, de rituais religiosos, rodeios e touradas, algo que ou mexe com o substrato da mente, como é o caso da religião, ou que envolve questões culturais. Nesse momento deve-se refletir se algum costume, por mais enraizado e fruto de uma cultura antiga que seja, tem o direito de impor sofrimento a outros seres dotados de sensciência – a capacidade de sentir prazer e dor, não raramente manifestando felicidade ou sofrimento.

É importante tratar dessa questão de maneira consciente, para não sermos omissos ao sofrimento alheio e ratificarmos as injustiças existentes.

Para os que desejarem fazer alguma denúncia, seguem os seguintes contatos:

Gabinete: (71) 3320-0256

denuncia@anaritatavares.com

Categoria(s): Artigos.

Comente: