Mãe pretende processar Bolsonaro após filho de 13 anos contrair a Covid-19 e ficar hospitalizado em estado grave

Uma notícia está sendo destaque nesta quinta-feira (31). A advogada Maíra Recchia, de 40 anos, mãe de um adolescente de 13 anos pretende entrar com uma ação contra o presidente Jair Bolsonaro, por danos morais e materiais, além de responsabilização do governo pelas omissões durante a pandemia. O filho, um adolescente de 13 anos, contraiu a Covid-19 e chegou a ter 50% de comprometimento dos pulmões.

“Meu filho tem 13 anos e nunca teve nenhum problema de saúde, nenhuma doença grave, nada. Não estava saindo de casa durante a quarentena, as aulas eram todas online. Mesmo assim, contraiu covid-19. Apesar de ser muito jovem, a doença evoluiu rápido e ele chegou a ter 50% do pulmão comprometido. Só não morreu porque teve acesso a um bom hospital, ficou internado no Albert Einstein, aqui em São Paulo. Caso contrário, não sei o que seria. É extremamente doloroso saber que ele estava sendo bem tratado e imaginar que a maioria das mães não tem nem a chance de lutar. Me colocava no lugar das mulheres que não conseguiam nem um primeiro atendimento para suas crianças, que não encontravam vaga em hospital. Isso é desumano”.

A mãe alega que a recusa do presidente na compra das vacinas, a campanha para o “kit covid”, as aglomerações e desinformações por parte de Bolsonaro o torna responsável pelo contágio e mortes de milhares de brasileiros.

“Vou pedir a responsabilização do governo por eventuais omissões praticadas durante a pandemia de covid-19, isso porque o direito administrativo brasileiro adotou, como regra, a responsabilidade objetiva do Estado em casos como esse.

Mesmo em se tratando de responsabilidade subjetiva, quando se fala de culpa, por exemplo, os requisitos também estão presentes porque houve deficiência no atendimento das pessoas, falta de informação e ausência de ferramentas de vacinação e contenção da propagação da covid, sendo que é obrigação do Estado dispensar um tratamento digno e eficiente a todos, inclusive por recomendação de protocolos nacionais e internacionais.

Ter um presidente que estimula o contágio, que é irresponsável com a saúde das pessoas, que recusou compra de vacina, que promoveu campanhas falsas sobre ‘kit covid’, é cruel. E me revolta ver cenas como a que ele tirou a máscara de uma criança. É um desrespeito com todas as mães”, disse.

A advogada também falou sobre os riscos do Covid-19 em crianças.

“Na primeira vez que o levei ao hospital, a médica que o atendeu falou que, por ser adolescente, teria sintomas leves, que não era para eu me preocupar. Mas o que começou com uma febre alta evoluiu para um cansaço até para comer. Na segunda vez que levei ao hospital, com outro médico, ele já estava com 15% do pulmão comprometido, taquicardia, sinais vitais oscilando. Internado, mesmo com toda a atenção da equipe de saúde, com tratamento de ponta e máscara de oxigênio, ele piorou.

Eu pedia, nas orações, para trocar de lugar com meu filho. Se alguém tivesse que morrer, que fosse eu. Foi uma dor e uma angústia absurdas. Quase um mês depois de ter tido alta, não diria que ele está totalmente recuperado. Na semana passada, por exemplo, teve crise de sinusite. Apareceram sequelas que no geral surgem em adultos. Precisamos levar a sério a covid entre os mais jovens. Não sabemos o impacto da doença nessa população, estamos correndo um risco sério de ver aumentar a mortalidade infantil pela ausência de políticas públicas adequadas. Vamos começar a perder crianças”, finalizou.

 

Da Redação do Acontece na Bahia

Categoria(s): Destaque.

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