Mãe de Miguel fala sobre pedido de desculpas da patroa:”Seria matar ele novamente”

Um dos casos que mais impactou o Brasil nas últimas semanas, sem dúvidas, foi o do Menino Miguel. A dor sentida por Mirtes Renata, a mãe do garoto, é indescritível; principalmente porque tudo poderia ter sido facilmente evitado.

Nesta quarta-feira, dia 10, Mirtes desabafou um pouco sobre o que está sentindo e sobre o que pensa do pedido de desculpas de Sari Gaspar Corte Real, sua ex-patroa, que foi indiciada pela morte de Miguel. Mirtes disse que não sentia nada quanto ao pedido de perdão feito por Sari e que aceitar as desculpas dela seria como “matar Miguel novamente”.

A carta foi escrita por Mirtes com ajuda do seu advogado:

“Recife, 10 de junho de 2020

SOBRE O PERDÃO PEDIDO POR SARI

Eu não recebi qualquer pedido de desculpas. A carta de perdão foi dirigida à imprensa, o que me faz pensar que eu não era destinatária, mas sim a opinião pública com a qual ela se preocupa por mera vaidade e por ser esse um ano de eleição.

Eu não tenho rancor. Tenho saudade do meu filho. O sentido da vida de quem e%u0301 mãe passa pelo cheiro do cabelo do filho ao acordar, pelo sorriso nas suas brincadeiras, pelo “mamãe” quando precisa do colo e do abrigo de quem o trouxe ao mundo. Uma mãe, sem seu filho, sofre uma crise, não apenas de identidade, como também de existência. Quem sou eu sem Miguel? Ela tirou de mim o meu neguinho, minha vida, por quem eu trabalhava e acordava todos os dias.

Quando eu grito que quero justiça, isso significa que eu preciso que alguém assuma a minha dor, lute minha luta, seja o destilado da cólera que eu não quero e nem posso ser. Eu não tenho forças neste momento, não tenho chão. Não tenho vida!

Após poucos dias é desumano cobrar perdão de uma mãe que perdeu o filho dessa forma tão desprezível. Afinal, sabemos que ela não trataria assim o filho de uma amiga. Ela agiu assim com o meu filho, como se ele tivesse menos valor, como se ele pudesse sofrer qualquer tipo de violência por ser “filho da empregada”.

Perdoar pressupõe punição; do contrário, não há perdão, senão condescendência. A aplicação de uma pena será libertadora, abrandará o meu sofrimento, permitirá o meu recomeço e abrirá espaço para o que foi pedido: perdão.. antes disso, perdoar seria matar o Miguel novamente.”

Da Redação do Acontece na Bahia.

Categoria(s): Nacional.

Comente: