Grafiteira conhecida por colorir muros e locais abandonados acaba morrendo após cair de Edifício São Pedro no Ceará

Uma notícia tem sido destaque nas redes sociais nesta terça-feira (20). A grafiteira Renata Nakayama, 23 anos, morreu na noite dessa segunda-feira (19) ao cair do Edifício São Pedro, na Praia de Iracema, Ceará. A jovem que era conhecida como‘’Jap’’ havia concluído o curso de Gastronomia em 2020 e fazia o primeiro semestre de Nutrição. A jovem se dedicava aos desenhos urbanos há dois anos.

“Como ela morava perto da minha casa, a gente pintava praticamente todo fim de semana em muros de terreno, avenidas e  locais realmente abandonados que não tivessem complicação com o meio público”, comenta o amigo de Renata, Hugo Castelo Branco. 

O amigo de Renata comentou que a marca característica dela era um desenho chamado‘’bomb’’com letras mais cheias como é verificado na maioria dos seus trabalhos. Renata trabalhava em uma loja de roupas mas estava parada por conta da escassez de demanda.

“Com essa paralisação, ela estava em casa esperando reabrir a demanda, não era nem a loja porque já tinha uma semana aberta, era a demanda mesmo para poder voltar a atender na loja”, informou o também grafiteiro Hugo.

O amigo comentou que‘’Jap’’ havia ido ao mesmo edifício do acidente na semana passada. Porém na segunda-feira ela retornou ao prédio acompanhada de dois amigos. Próximo do momento em que deixariam o edifício a marquise cedeu e Renata caiu.

“Na hora de descer, ela disse que ia só pegar mais um nome, subiu na marquise e caiu para o lado de dentro porque o piso cedeu. Caiu na parte interna do prédio. Ela não tinha medo de nada, era muito destemida”, contou Hugo, que soube da morte de Renata por intermédio de um amigo. 

Em nota a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), confirmou que Renata estava grafitando quando o chão da marquise cedeu. A jovem foi atendida ainda no local por equipes do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), com o apoio do Batalhão de Policiamento Turístico (BPTur) da Polícia Militar (PMCE) e o Corpo de Bombeiros Militar do (CBMCE), porém ela não resistiu e veio a óbito.

“Uma pessoa que estava com ela no momento do acidente foi ouvida na sede do 2° Distrito Policial (DP) da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), onde o caso foi registrado. O corpo da jovem foi levado à sede da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) por uma viatura da instituição”, informou a nota.

Hugo, amigo de Renata, disse que ela se expressava por meio da arte urbana.”Ela era uma pessoa fantástica. A Renata tinha uma ideologia muito forte quanto ao direito feminino, liberdade de expressão, uma visão muito pra frente mesmo”. 

Da redação do Acontece na Bahia

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