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Estudante da UNEB comenta Movimento Passe Livre

 

Por: Agnaldo Podestá. Estudante de Turismo na UNEB e ativista social.

 

Muito se tem comentado sobre as frequentes manifestações que aconteceram nas últimas semanas nas maiores cidades brasileiras; inúmeros jovens – e até mesmo pessoas mais maduras – foram às ruas protestar contra as injustiças e procurar a solução para os problemas sociais que assolam o país.

Grande parte da população, entretanto, aparenta ignorância sobre o que acontece, e mesmo as partes integrantes do movimento não raramente parecem desconhecer o que realmente se passa.

Primeiro, é necessário compreender que o Movimento Passe Livre – também conhecido pela sigla MPL – não é tão recente como muitos parecem pensar, mas remete aos primeiros anos do século XXI. É dito que algumas revoltas populares deram início ao movimento, como a chamada “Revolta do Busu”, que aconteceu em 2003, em Salvador, quando milhares de estudantes e trabalhadores fecharam as vias públicas, com o objetivo de protestar contra o aumento da tarifa, e o evento conhecido como “Revolta da Catraca”, que aconteceu em 2004 e em 2005, em Florianópolis; o nome Movimento Passe Livre, entretanto, somente passou a ser utilizado de forma oficial a partir de 2005.

Certo, entendemos a sua origem, mas, afinal, do exatamente trata-se o Movimento Passe Livre? Esclarecendo: Esse é um movimento social autônomo, apartidário, horizontal e independente, que tem por objetivo a migração de um sistema de transportes privado para um público, onde exista a gratuidade do transporte coletivo.

O maior destaque, contudo, ocorreu esse ano, a partir dos protestos que ocorreram em São Paulo. Os constantes aumentos da tarifa do transporte público deixaram muitas pessoas indignadas, e as respostas oferecidas pela mídia deram origem à famosa frase “Não são apenas R$0,20!”. De fato, o MPL assumiu proporções muito maiores do que as anteriormente previstas, representando toda uma massa populacional que está inconformada com as injustiças sociais e que tem levantado incontáveis bandeiras em sinal de protesto pelos mais variados temas, perpassando inúmeros problemas sociais, desde a falta de saúde e de educação até o racismo, machismo e homofobia.

 

Em Salvador, o MPL também ganhou força. Ocorreu no dia 17 de junho um manifesto, cuja concentração inicial foi em frente ao Shopping Iguatemi e que mobilizou aproximadamente oito mil pessoas. Esse evento contou com a “proteção” da polícia, entretanto, há aqueles que especulam se, na verdade, os manifestantes não foram ingênuos, seguindo o caminho estipulado pelos policiais de modo a não causarem caos urbano. Mas essa foi, apesar das possíveis inconveniências, uma manifestação pacífica, diferentemente das que aconteceram em outras cidades.

 

 

Foi marcada para hoje, dia 19 de junho, uma reunião no Passeio Público, para que se possa dar corpo ao movimento, e um grande ato foi programado para acontecer amanhã, dia 20 de junho, com concentração marcada para acontecer às 14:00 horas, no Campo Grande, e com destino à Fonte Nova.

O movimento tem se mostrado forte e tem migrado até mesmo para as cidades menores, o que o levou a ser comparado à Primavera Árabe. Essa força toda deve-se, sobretudo, ao advento das redes sociais, que permite a comunicação de pessoas de diversas partes do globo.

O MPL está repleto de pessoas bem-intencionadas, orgulhosas da proporção que o movimento assumiu e tomadas pelo gratificante sentimento de “Vamos mudar o nosso país!”,sem dúvidas. Entretanto, pode-se observar que não há muita unidade ideológica, e que é grande o risco de os manifestantes perderem o foco. É necessário compreender que várias pessoas juntarem-se com cartazes e clamarem desordenadamente pela resolução de todos esses problemas não irá solucioná-los ou trazer alguma verdadeira mudança social; ao invés disso, é preciso saber onde se reunir, o que e para quem gritar, e, principalmente, saber o que se quer; e essa talvez seja a maior fragilidade: muitas pessoas parecem não saber o que querem com tudo isso. Claro, não passa de uma questão de tarifas mais baratas ou de transporte gratuito, é muito mais: mas é preciso ter opiniões e argumentos sólidos, para não se perder ou aparentar insensatez.

O dia 20 aproxima-se, e pode-se prever um número ainda maior de manifestantes, que clamarão por uma educação de qualidade, pela saúde pública para todos, pela maior equidade econômica e social, pelo fim de propostas absurdas como a PEC 37 ou a Cura Gay, aprovada ontem pela Comissão de Direitos Humanos, entre várias outras resoluções. É preciso sim apoiar o movimento e suas premissas, mas é preciso fazê-lo de maneira consciente.