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Empresário que matou policial civil era CAC, tinha laboratório, namorava modelo e respondeu por homicídio no passado

O proprietário da residência em São Paulo que, neste último fim de semana, fatalmente confundiu uma policial civil com uma assaltante, resultando em sua morte por disparos de arma de fogo, era um CAC (Caçador, Atirador e Colecionador de armas). Rogério Saladino dos Santos, de 56 anos, sócio-presidente de um laboratório de medicina diagnóstica, estava envolvido com uma modelo e tinha um histórico passado com acusações de homicídio, agressão e crime ambiental.

O trágico incidente ocorreu em sua residência nos Jardins, uma área nobre da região central de São Paulo. A policial civil Milene Bagalho Estevam, de 39 anos, foi vítima fatal dos disparos de Saladino, que a confundiu com uma invasora. O policial civil que acompanhava Milene revidou, ferindo Saladino, e o vigilante particular do empresário, Alex James Gomes Mury, também foi atingido ao tentar intervir.

Ambos Saladino e Mury não resistiram aos ferimentos e faleceram, enquanto o policial civil sobreviveu. As câmeras de segurança registraram parte do confronto. Embora Saladino tivesse autorização para possuir armas em casa como CAC, uma das pistolas usadas no incidente, uma calibre .45, estava aparentemente irregular, conforme consta no boletim de ocorrência.

O diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Fábio Pinheiro Lopes, criticou as ações de Saladino, destacando que ele deveria ter buscado ajuda policial em vez de agir impulsivamente. Saladino, além de empresário, fazia parte do Grupo Biofast, uma empresa de medicina diagnóstica atuante desde 2004, com representações em diversas unidades em São Paulo, Bahia e Ceará.

A família de Saladino expressou lamentos pelas tragédias ocorridas e refutou as acusações anteriores contra ele. O caso foi registrado pela Polícia Civil como “homicídio” e “morte decorrente de intervenção policial”. O inquérito, considerando a morte dos autores, será concluído e encaminhado à Justiça para arquivamento.

Rogério foi sepultado nesta segunda-feira (18) em um cemitério na capital, cujo nome e horário não foram divulgados pela família.

A reportagem não conseguiu localizar representantes ou parentes do vigilante para comentar o assunto. Segundo o DHPP, ele “não possuía antecedentes criminais”.

A Polícia Civil, por meio de nota no X (antigo Twitter), confirmou a morte da investigadora Milene. A publicação informa que ela servia na polícia há sete anos e deixa uma filha de 5 anos.

“É com imenso pesar que a Polícia Civil informa que a investigadora Milene Bagalho Estevam faleceu ontem, 16/12, no cumprimento da função”, diz um trecho do comunicado. “A Polícia Civil presta os mais sinceros sentimentos de solidariedade à família e aos amigos.”

Milene foi sepultada no domingo (17) no Cemitério São Pedro, na Vila Alpina, Zona Leste de São Paulo. Seu velório e enterro foram acompanhados pelo som das sirenes das viaturas da Polícia Civil em sua homenagem. Entre as autoridades presentes estavam o delegado Fábio Pinheiro, diretor do Deic, onde Milene trabalhava, e o Secretário da Segurança Pública (SSP), Guilherme Derrite.

“Estamos todos destruídos. Ela era brilhante como policial, amiga e mãe”, disse Thiago Delgado, delegado da Divisão de Roubos e Latrocínios do Deic, que trabalhava com Milene.

Segundo Delgado, a investigadora realizou diversas operações importantes na Polícia Civil, esclarecendo vários crimes. Uma delas envolveu sua participação em um aplicativo de relacionamento para se aproximar de um criminoso procurado por roubo seguido de morte. Milene fingiu interesse, marcou um encontro e, com o apoio de outros policiais, contribuiu para sua prisão.

De acordo com a Polícia Civil, o empresário e o vigilante confundiram Milene e o outro policial civil com ladrões. Os dois investigadores estavam em um carro descaracterizado do Deic, circulando pela região das ruas Guadelupe e Venezuela, no Jardim América, em busca de pistas de criminosos que haviam invadido uma casa no dia anterior.

Pedindo imagens de câmeras de segurança aos moradores locais, identificando-se como investigadores da Polícia Civil, os dois agentes abordaram o vigilante Alex, que estava numa moto. Ao solicitar vídeos da câmera da mansão, ele entrou na propriedade, falou com o segurança da guarita e, por sua vez, o dono da residência foi informado. Rogério, desconfiado, ao ver os policiais, deu tiros de advertência e abriu o portão eletrônico, atirando em Milene antes que ela pudesse reagir.

O Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa apreendeu quatro armas para perícia: duas que estavam com os policiais e outras duas que pertenciam ao dono da mansão. A investigação aguardará os resultados dos exames da Polícia Técnico-Científica para determinar quem atirou em quem. Além disso, foram encontradas “porções de maconha” e outras drogas na residência de Rogério, conforme informou a pasta da Segurança Pública.

Da redação do Acontece na Bahia