“É como matar um cão”: Jegues do Nordeste estão sendo abatidos para produção de remédio na China e correm risco de extinção

A população de Amargosa, cidade do centro-sul da Bahia, está vivendo um dilema e envolve o jumento, conhecido como jegue, espécie tradicional do Brasil e símbolo histórico da luta do povo sertanejo. A cidade fica localizada a 119 km de Salvador, e se tornou dependente de um mercado que cresce a cada ano, apesar de ser alvo de críticas por colocar em risco a existência do animal. Estas informações são do portal G1.

Em Amargosa funciona o Frinordeste, atualmente o principal frigorífico de abate de jumentos do país, cuja planta industrial pertence à JBS, mas foi arrendado por dois cidadãos chineses e um brasileiro. O frigorífico realiza o abate de cerca de 1,2 mil animais todas as semanas para posterior exportação à China, disseram funcionários da empresa que preferiram não se identificar.

O animal é morto com um tiro de ar comprimido entre os olhos. Após o abate, o couro do animal é retirado, embalado em caixas e levado para a China, onde é transformado em uma gelatina que é usada para produzir o ejiao, um produto medicinal bastante popular e lucrativo da Tradicional Medicina Chinesa. Já a carne, normalmente é separada e exportada para o Vietnã.

Sem comprovação científica de que o medicamento tenha eficácia, o ejiao, no país asiático, é usado no tratamento de vários problemas de saúde, como menstruação irregular, anemia, insônia e até impotência sexual. O medicamento é usado de várias maneiras, como em chás e bolos. Existem vídeos de programas populares da TV chinesa, no YouTube, que ensinam receitas com ejiao e prometem ao espectador uma vida “mais saudável.”

Da Redação do Acontece na Bahia

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