CPI descobre pastores que estariam convencendo indígenas a recusarem vacinas alegando ser a “marca da Besta”

Uma notícia está sendo destaque neste sábado (26). De acordo com um requerimento entregue à CPI da Covid, pastores evangélicos do Norte do Brasil estariam espalhando desinformação e propagando o medo nos indígenas sobre a vacina. Para os índios, eles afirmavam que os imunizantes vinham contaminada da China como parte de um “plano diabólico”, que seria de marcar eles com o numero da Besta, o 666, citado no livro Apocalipse, da Bíblia.

Ainda segundo o requerimento, esses religiosos espalham as desinformações e mentiras no povo Kokama, no Amazonas, dizendo  “que o imunizante os transformaria em animais, homossexuais ou os mataria” e que “neles seria implantado um chip que carregaria a ‘marca da Besta’.

A vice-presidente da Federação Indígena do Povo Kokama, Milena Kokama, em entrevista ao portal UOL explicou como esses pastores atuavam.

“Eles primeiro se aproximam da liderança da aldeia, se fingem de amigos e daqui a pouco casam com a filha da liderança: pronto, eles entram na aldeia e já constroem uma igreja. Eles falam que a vacina não é coisa de Deus, que já vem contaminada da China e que Deus vai proteger quem não tomar”.

Por conta disso, em fevereiro deste ano, quando um helicóptero da FAB (Força Aérea Brasileira) chegou com agentes de saúde e doses da vacina, homens e mulheres com arcos e flechas cercaram o veículo e falaram que receberiam um imunizante apenas quando um missionário americano não fosse liberado para entrar na região e “os orientasse sobre a vacina”.

Nas comunidades que ficam próximas ao rio Içá, “pastores teriam se dirigido ao município em tentativa de impedir que as vacinas chegassem na comunidade”. No Vale do Javari, onde possui a maior concentração de povos isolados, as “aldeias já disseram à Sesai [Secretaria Especial de Saúde Indígena, do Ministério da Saúde] que não irão aceitar a vacina”. Assim, de acordo com o requerimento, apenas as comunidades indígenas que estão vinculadas aos grupos evangélicos estariam resistentes a vacinação. “Na comunicação que eles fazem por rádio, que todas as aldeias escutam, eles dizem que a vacina foi fabricada muito rápido para os indígenas virarem cobaia”, diz Beto Marubo, representante da entidade.

 

Da Redação do Acontece na Bahia

 

Categoria(s): Destaque.

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