Cachoeira: prefeita é ameaçada de morte e relata pressão por renúncia; Eliana é a primeira mulher negra a assumir o executivo municipal

Uma notícia tem sido destaque nas redes sociais nesta quarta-feira (21). A atual prefeita de Cachoeira, Eliana Gonzaga (Republicanos), eleita em 2020, tem sido alvo de ataques racistas feitos por meio das redes sociais, desde a época da campanha eleitoral. Logo depois de anunciada sua vitória, dois de seus aliados políticos foram executados, com as investigacões apontando para possível execução. Desde então a prefeita tem recebido ameaças e pedidos para que renuncie o cargo.

Eliana começou na vida política por meio do sindicato dos trabalhadores de Agricultura familiar.‘’Desde então venho fazendo esse trabalho de formiguinha com políticas para evitar o êxodo rural e enfrentando fazendeiros para garantir o direito a terra’’, disse Eliana.

Eliana Gonzaga decidiu disputar à prefeitura da cidade em 2020 contra seu opositor Tato Pereira, que queria a reeleição. A disputa ficou marcada por ameaças e ataques racistas que eram postados em aplicativos de mensagens. Eleita, Eliana pôs fim em 16 anos de gestão da família Pereira que possui forte influência na cidade.

Dois dias depois de vencer a eleição, um cabo eleitoral da prefeita foi executado em Cachoeira.‘’ Ele foi abatido com dez tiros, mesmo número do meu partido. O recado foi dado’’, comentou a prefeita. Logo depois da execução do aliado da prefeita, foi divulgado na cidade uma suposta lista com as próximas vítimas que era composta de familiares da prefeita e aliados. A prefeita então enviou várias pessoas à Salvador para ficarem na casa de amigos. Dentre as pessoas enviadas estava Georlando Silva que havia comentado ter recebido ameaças.

Georlando voltou para Cachoeira em 30 de dezembro, próximo da posse da prefeita, e chegou a ser nomeado Coordenador de Obras da prefeitura, porém foi assassinado no dia 7 de março com 19 tiros no rosto.‘’Foi um crime muito macabro, chocou toda a cidade’’, disse a prefeita que ainda continua recebendo ameaças de morte.

Eliana contou que recebeu um telefonema e do outro lado da linha se ouviu rajada de tiros. A prefeita tem andado com escolta armada e usa carro blindado.

Entidades do movimento negro e sindical emitiram nota de solidariedade à prefeita nesta terça-feira (20) e cobraram investigação rigorosa pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia.‘’Consideramos um absurdo inaceitável que uma mulher negra democraticamente e legitimamente eleita seja mais uma vez alvo de violência de grupos autoritários e violentos que não aceitam a vontade do povo expressa pelo voto. Repudiamos as ameaças de morte, os ataques racistas e misóginos’’.

A Polícia Civil da Bahia investiga o caso e já ouviu alguns suspeitos. As informações não puderam ser divulgadas para não atrapalharem o andamento do inquérito policial.

A prefeita afirma que continua no cargo e que a renúncia não é uma opção.‘’Continuarei de pé porque sei que essa luta não é individual. Essa é uma luta coletiva que remete aos nossos ancestrais. O povo de Cachoeira não elegeu uma covarde. Vou ficar e fazer uma gestão de excelência’’, concluiu.

Da redação do Acontece na Bahia

 

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