A poucos dias do início do julgamento do chamado plano de golpe, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ainda não definiu se estará presente fisicamente nas sessões da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Preso em regime domiciliar desde 4 de agosto, o ex-mandatário avalia, com aliados e advogados, os possíveis desdobramentos políticos de sua presença no tribunal.
Enquanto Bolsonaro permanece indeciso, o general Walter Braga Netto, preso desde dezembro de 2024 na 1ª Divisão do Exército, no Rio de Janeiro, já comunicou que não participará presencialmente. Sua defesa, no entanto, vai solicitar à Corte que ele possa acompanhar os trabalhos de forma virtual.
Julgamento decisivo no STF
O julgamento, marcado pelo ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma do STF, terá início em 2 de setembro e se estenderá em sessões extraordinárias nos dias 3, 9, 10 e 12 do mesmo mês. A análise se concentra nos integrantes do chamado núcleo crucial da trama golpista, grupo do qual Bolsonaro e Braga Netto são apontados como principais líderes.
Além deles, outros seis réus estão incluídos no processo. A acusação sustenta que o grupo teria planejado um movimento para manter o ex-presidente no poder mesmo após a derrota nas eleições de 2022.
Divisão entre aliados
Dentro do círculo próximo a Bolsonaro, não há consenso sobre sua presença no tribunal. Parte dos aliados defende que o comparecimento reforçaria a narrativa de que ele não teme as acusações e está disposto a enfrentar o processo “de cabeça erguida”. Outros, no entanto, alertam para o desgaste que a exposição poderia causar, sobretudo diante do estado de saúde do ex-presidente, que tem apresentado fragilidade nos últimos meses.
Em março deste ano, Bolsonaro surpreendeu ao comparecer pessoalmente à Corte durante a análise do recebimento da denúncia. Naquele momento, a presença não era obrigatória, mas foi interpretada como um gesto político de enfrentamento. Agora, em uma etapa mais delicada do processo, a decisão se tornou ainda mais estratégica.
Prisão domiciliar e restrições
Por estar em prisão domiciliar, Bolsonaro precisaria de autorização judicial para deixar sua residência e comparecer às sessões. A medida restritiva foi determinada após descumprimento de cautelares relacionadas ao inquérito que investiga o filho dele, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Essa condição torna qualquer movimentação mais complexa. Caso opte por acompanhar de casa, a presença dele ficaria restrita às transmissões públicas já disponibilizadas pelo STF.
Braga Netto e Mauro Cid
Enquanto Braga Netto aposta na alternativa on-line, outro personagem central do caso já anunciou que não participará: o tenente-coronel Mauro Cid. Ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Cid assinou acordo de colaboração premiada, cujos depoimentos foram determinantes para o avanço das investigações. Ele decidiu se ausentar para evitar constrangimentos diante dos demais réus.
Desde sua prisão, Braga Netto só deixou a unidade militar uma única vez, para participar de acareação com Cid em Brasília, em junho. Agora, sua estratégia jurídica é manter-se afastado fisicamente, mas atento a cada detalhe do julgamento.
O que está em jogo
Caso as acusações sejam confirmadas, Bolsonaro e Braga Netto podem enfrentar penas que somam mais de 40 anos de prisão. O resultado do julgamento, portanto, terá impacto direto não apenas sobre o futuro político e pessoal do ex-presidente, mas também sobre a narrativa que seus apoiadores tentarão construir a partir da decisão da Corte.
Enquanto isso, cresce a expectativa em Brasília e no meio político sobre a postura que Bolsonaro adotará. A definição de comparecer ou não ao STF será interpretada como um gesto político de grande simbolismo, seja de enfrentamento ou de recuo.
O julgamento do núcleo crucial do plano de golpe promete ser um dos momentos mais tensos e acompanhados da história recente do Supremo.
Da Redação com informações site CNN Brasil
Foto: Reprodução Valter Campanato/Agência Brasil
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