Arquidiocese começa hoje processo de canonização de Odetinha, que pode ser 1ª santa do Rio

 

A Arquidiocese do Rio de Janeiro inicia na manhã desta sexta-feira (18), o processo de canonização da menina Odette Vidal de Oliveira, na Igreja Nossa Senhora da Glória, no Largo do Machado, zona sul da cidade. Odetinha, como é conhecida, nasceu em Madureira e morreu de meningite aos nove anos em 1939. Ela pode se tornar a primeira santa nascida na capital fluminense.

De acordo com informações do Setor de Beatificação da Arquidiocese, escritos da mãe de Odetinha relatam que uma multidão já queria ter contato com o corpo da menina, desde o dia de seu sepultamento, em 25 de novembro de 1939. Todos os pertences que contam a história da garota serão mantidos em sigilo durante a etapa inicial do processo.

“Nós temos diários que ela escreveu com 7, 8 anos, escritos de pessoas que conviveram com ela, cartas que contam milagres feitos por ela, enfim, bastante material”, conta um funcionário do setor que não quis se identificar.

A peregrinação em torno de Odetinha começou logo após sua morte e continua até hoje. Seu túmulo é o segundo mais visitado do Cemitério São João Batista, em Botafogo, na zona sul, só perdendo para o de Carmem Miranda, segundo a arquidiocese. Os fiéis deixam flores e placas em agradecimento às graças que dizem ter alcançado por meio de preces à menina. Todo primeiro sábado do mês, os devotos se encontram nas missas celebradas em sua intenção, na capela do cemitério.

No início deste mês, os restos mortais da menina foram exumados para serem levados à Basília da Imaculada Conceição, em Botafogo, onde está sendo construído um túmulo que vai abrigar a urna de Odetinha. Hoje, os restos serão levados para a Igreja Nossa Senhora da Glória, onde permanecerão durante dois dias. Quando saírem de lá, eles passarão pela paróquia dos Frades Capuchinhos, na Tijuca, zona norte do Rio, e pela Catedral Metropolitana, no centro, no domingo (20).

“Foi surpreendente a quantidade de ossos que encontramos, pois normalmente depois de três anos, mais ou menos, a quantidade é menor. Outra surpresa foi o grande número de moedas no túmulo. Isso já constata a fama de santidade desde o ano de seu falecimento”, contou Paolo Vilotta, emissário da Congregação para Causa dos Santos, do Vaticano.

A canonização
Atualmente, os bispos podem iniciar a canonização, antes, apenas o papa podia começar o processo, de qualquer forma, quem dá a palavra final ainda é a autoridade papal. Quando é iniciado, o candidato recebe o título de Servo de Deus. O primeiro passo é dado pelo bispo, que atua como uma espécie de advogado e tem a tarefa de investigar detalhadamente a vida do candidato a santo. Há também uma espécie de “promotor”, que deve checar e contrapor os argumentos apresentados. Na fase inicial, investiga-se as virtudes ou o martírio. Neste último caso, investiga-se as circunstâncias da morte em detalhes. Concluído o processo com parecer positivo, a pessoa é declarada Venerável.

A segunda etapa é o milagre da beatificação. Para tornar-se beato, é necessária a comprovação de um milagre por sua intercessão. Esta condição é dispensada em caso de martírio. O juiz do Tribunal da arquidiocese reúne documentos e interroga pessoas que dizem ter passado por algum milagre. Laudos médicos indicando que a pessoa não tem chances de se curar de uma doença ou que tem poucos meses de vida são os principais documentos. Os devotos, geralmente, levam esses laudos e mostram ao tribunal que a pessoa foi curada por milagre. Tudo isso é anexado e mandado para o Vaticano.

Se o milagre for comprovado, procede-se a canonização, o beato vira santo e passa a ser cultuado mundialmente. “Acredito que Odetinha vá passar por todas essas etapas. Ela não tem pecados, era uma criança boa e muito católica”, diz o funcionário do Setor de Beatificação da Arquidiocese do Rio.

Fonte: Uol Notícias.

Categoria(s): Nacional.

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