“Apontava a arma na minha cabeça”: Rapaz preso em motel com coronel explica porque estava descarregando a arma no estabelecimento

Depois de ser preso por descarregar uma arma dentro de um motel, o rapaz de 21 anos que estava no estabelecimento com um coronel, falou pela primeira vez sobre a situação. Procurado pelo portal Metrópoles, ele contou como foi parar no local.

“Eu estava subindo a rua em direção à minha casa mesmo [depois de sair de um bar]. Foi quando ele me chamou e me perguntou para onde que eu estava indo, onde eu morava. Eu não dei nenhum endereço, falei que morava nas proximidades. Ele perguntou se eu usava pó e eu respondi que não. Essa conversa foi toda em movimento; eu não parei, nem ele. Dava pra ver que ele estava bêbado, mas eu aceitei a carona. Foi o meu pior erro”.

Ao entrar no carro, o rapaz conta que o coronel começou a dar várias voltas pelo comércio para encontrar um homem que lhe bateu e matar. O jovem diz ter tentado sair do automóvel, mas não conseguiu. “Ele disse que ia na casa dele para buscar a arma para matar essa outra pessoa. Só que eu já estava pedindo para ele me deixar na altura do SESC, me deixar próximo ao centro. Mas ele disse que não, que era pra eu ir com ele”, comenta.

Ao chegar na casa do coronel, o jovem conta ter tentando fugir, mas não conseguiu de novo. Foi quando começou a mandar mensagem para um amigo pedindo ajuda. “Na hora que a gente entrou no carro, ele já engatou a arma e mostrou, sempre com um diálogo de que iria matar o cara, de que ele mata, porque ele é bruto. A gente voltou para comercial para procurar essa tal pessoa. Demos várias voltas, ele andou na contramão e, diversas vezes, apontou a arma na minha cabeça. Eu comecei a mandar mensagens para um amigo, com a localização e gravando tudo o que ele estava falando“, completa.

O rapaz ainda conta que foi obrigado a ir comprar drogas para o coronel. “Eu já tinha entendido que, se eu não fizesse o que ele falasse, ele ia ficar nervoso e apontar arma na minha cabeça. Então, eu parei de ir contra ele para que não acontecesse nada. Já estava nessa situação”, diz.

“Ele chegou na BR 070. Eu quase tive uma atitude premeditada de puxar o freio de mão porque ele estava dirigindo de uma forma muito perigosa. Muito perigosa mesmo. Eu já sabia que ele não estava mais procurando a outra pessoa e que não ia me deixar sair. Fiquei preocupado, pensei em puxar o freio de mão do carro, pedi para ele deixar eu dirigir o carro, mas ele disse que não, que ele sabia o que estava fazendo. Então, entrou no motel”, conta.

Ao entrar no motel, o rapaz conta que o coronel saiu para pegar a arma no carro. “Nessa hora, eu fiquei no quarto. Mas ele demorou muito e eu fui ver o que estava acontecendo. Ele não estava conseguindo achar a arma. Eu achei e entreguei a fim de ganhar a confiança dele”, reforça.

“Teve uma hora que ele levantou da cama. Não lembro o que ele foi fazer, mas sei que ele foi para uma parte isolada do quarto. Foi o momento que eu peguei a chave do carro, a chave do quarto e a arma. Desci, deixei tudo, deixei meu celular no quarto, minhas roupas, desci pelado, e tranquei ele no quarto. Entrei no carro e fui em direção à saída do motel. Eu já estava pedindo socorro, buzinando, com o pisca-alerta ligado. Só que ninguém abriu o portão. Eu fiquei muito tempo. Uma mulher apareceu, perguntou o número do quarto e não voltou mais. Percebi que ninguém iria me ajudar e que eu tinha que fazer alguma coisa. Foi aí que eu disparei contra o muro do motel”.

Durante a fuga, ele conta que chegou a bater em vários carros no local e tentou pular o muro. A viatura já estava na frente do local. “Quando cheguei na entrada do motel já tinha viaturas lá. Eu vi quando tentei pular o muro para pedir socorro. Imediatamente, desci e entreguei a arma por de baixo do portão”, explica.

“Eu já estava esperando por esse momento [fuga], pensando nisso. Desde quando fomos na casa dele, desde que comecei a mandar a mensagem para o meu amigo, eu já estava pensando em fugir. No momento que decidi fugir foi quando vi que ele estava de costas para mim e em um lugar que dava para eu fugir, porque ele não poderia vir atrás de mim tão facilmente”, diz.

 

Da Redação do Acontece na Bahia

Categoria(s): Destaque.

Comente: